A Importância do Estudo do Passado nas Mudanças Climáticas e no El Niño
Pesquisador peruano destaca a relevância da paleontologia para entender eventos climáticos e orientar decisões. Projeto no Peru revela fósseis e contribui para a ciência.

O paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi enfatiza a importância da ciência básica como fundamento do conhecimento, especialmente em tempos de mudanças climáticas e fenômenos como o El Niño. Ele participa de uma expedição na Amazônia peruana, onde imagens documentam uma viagem de reconhecimento na região de Loreto, antes de um projeto científico multidisciplinar financiado pela ProCiencia.
Estudar o que ocorreu na Terra há milhares ou milhões de anos durante eventos extremos é fundamental para compreender como esses fenômenos impactam os ecossistemas e os seres vivos. Segundo Salas-Gismondi, “todos esses fenômenos que ocorreram no passado, durante períodos quentes ou frios, nos ajudam a entender o que pode acontecer e como os ecossistemas e as espécies podem se comportar”.
O cientista, que é chefe do Departamento de Paleontologia de Vertebrados do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos (UNMSM), explica que o registro fóssil e geológico fornece informações cruciais sobre eventos do passado. Ele menciona o período quente do Mioceno Médio, que aconteceu há cerca de 17 milhões de anos, e sua relação com a diversidade de répteis e mamíferos aquáticos na Amazônia.
Durante esse aquecimento global, a região amazônica passou por mudanças significativas, como o surgimento de manguezais e a adaptação de botos marinhos aos ecossistemas de água doce. “Compreender o que aconteceu durante esse período de aquecimento global nos ajuda a ter uma visão real do que poderá mudar o nosso planeta se este for submetido a essas temperaturas”, afirmou Salas-Gismondi.
O projeto liderado por Salas-Gismondi, intitulado “O registro fóssil de Loreto: Arquivos sobre a origem da biodiversidade amazônica”, recebeu cerca de 500.000 soles da ProCiencia e já resultou na descoberta de importantes fósseis. Ele destaca que essa pesquisa é vital para a ciência e para a formação de novos pesquisadores, além de alertar sobre a necessidade de continuar o financiamento para projetos de ciência básica, que são essenciais para o progresso científico no Peru.
Fonte: Portal Amazônia