A Luta pela Construção do Hospital Beneficente Portuguesa em Manaus
O projeto do hospital Beneficente Portuguesa enfrentou adversidades financeiras e falta de apoio. O clamor por um hospital em Manaus foi constante ao longo dos anos.

O projeto da construção do hospital Beneficente Portuguesa, idealizado pelo presidente Teixeira de Souza e com a planta do arquiteto J. Carlos Antony, não foi concretizado. Apesar de diversas campanhas de arrecadação, como leilões e quermesses, as dificuldades financeiras foram um obstáculo constante. O prédio destinado ao hospital estava localizado na Rua Corrêa de Miranda, hoje Avenida Joaquim Nabuco, e as reclamações sobre a falta de um hospital em Manaus eram frequentes.
As frustrações dos associados da Beneficente Portuguesa eram palpáveis, e o sócio José Joaquim Migueis expressou esse descontentamento em uma Assembleia Geral realizada em 31 de outubro de 1885. Sob a presidência do Comendador José Cláudio de Mesquita, Migueis propôs que a diretoria buscasse uma parceria com a Santa Casa de Misericórdia para criar uma enfermaria que atendesse os associados necessitados. Essa proposta visava não apenas oferecer atendimento, mas também incentivar a adesão de novos sócios à sociedade.
Após essa manifestação, a sociedade firmou um contrato com a Santa Casa de Misericórdia, demonstrando a urgência em solucionar a falta de um hospital. Pouco tempo depois, em 8 de novembro de 1885, o Comendador José Cláudio de Mesquita recebeu o médico Dr. João Machado de Aguiar Melo, que se ofereceu para prestar seus serviços médicos gratuitamente, assim que a enfermaria fosse estabelecida. Essa atitude solidificou o apoio à causa hospitalar em Manaus e foi prontamente aceita pela sociedade.
Apesar das dificuldades enfrentadas, a planta do hospital foi desenhada pelo sócio honorário Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que também prestou seus serviços gratuitamente. Isso resultou na homenagem a ele como sócio honorário durante a presidência de Bernardo Antônio de Oliveira Braga. As obras da enfermaria começaram e, em 19 de novembro de 1887, o empreiteiro José Hermida anunciou a conclusão das obras, entregando as chaves do espaço.
J. Carlos Antony, nascido em Manaus em 19 de março de 1833, e Gregório Thaumaturgo de Azevedo, nascido em Piauí em 17 de novembro de 1851, foram figuras importantes em sua época. Antony era um arquiteto respeitado, enquanto Azevedo se destacou no Exército e na vida cívica. As contribuições de ambos foram fundamentais para o desenvolvimento da Beneficente Portuguesa, que lutava para oferecer um atendimento de saúde digno à população de Manaus.
Fonte: Portal Amazônia