Açaí tem genoma sequenciado por pesquisadores da Amazônia pela primeira vez
Cientistas sequenciaram o genoma do açaí, facilitando o melhoramento genético e o desenvolvimento de novos produtos. A pesquisa pode acelerar a seleção de características desejáveis na planta.

Cientistas da Amazônia realizaram pela primeira vez o sequenciamento do genoma do açaí (Euterpe oleracea Mart.), uma palmeira que se destaca como um dos frutos mais representativos da bioeconomia na Região Norte. Essa descoberta promete agilizar o melhoramento genético da planta ao identificar genes que conferem características desejáveis, como alta produtividade e resistência a doenças.
O sequenciamento do genoma também amplia a compreensão das diferentes colorações dos frutos de açaí e possibilita o desenvolvimento de novos produtos, como corantes naturais e antioxidantes. Com essa informação, os pesquisadores poderão acelerar em até três vezes as etapas de avaliação e seleção que normalmente levam anos no melhoramento genético convencional.
O projeto foi fruto de uma colaboração entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Oriental. Os resultados foram publicados na revista científica Genome, e a pesquisa começou com a seleção de amostras de açaizeiro no banco genético da Embrapa, incluindo a cultivar BRS Pai d’Égua e frutos de variedades roxas e brancas.
A comparação entre as amostras revelou que a coloração roxa do açaí se deve à ativação de uma enzima que sintetiza antocianinas, enquanto a variedade branca apresenta inibição dos genes responsáveis por essa coloração. A pesquisadora Elisa Moura destacou que o sequenciamento permitirá identificar marcadores genéticos, reduzindo o tempo de espera para informações sobre produção e resistência a doenças.
Além de auxiliar no melhoramento genético, o professor Rafael Baraúna ressaltou que o sequenciamento pode gerar uma base de dados pública, beneficiando outros pesquisadores. O mapeamento do genoma também abre novas possibilidades para a produção em laboratório de moléculas de interesse, promovendo práticas mais sustentáveis e controladas, reduzindo a exploração do açaí no campo.
Fonte: Portal Amazônia