Acordo Mercosul-União Europeia pode revolucionar a economia da Amazônia
A embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, destaca o potencial do tratado para impulsionar a bioeconomia e valorizar a floresta em pé. O acordo entrou em vigor em 1º de setembro.

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, ressaltou que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor em 1º de setembro, pode ter um impacto significativo na bioeconomia da Amazônia. Este tratado é considerado um dos mais abrangentes já negociados entre os dois blocos, prometendo não apenas a ampliação do acesso a mercados, mas também o incentivo a atividades econômicas sustentáveis na região.
Com a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, a expectativa é que a redução ocorra de forma gradual, variando de quatro a dez anos, dependendo do tipo de produto. Essa mudança é vista como uma oportunidade para diversificar a inserção da Amazônia no comércio internacional, atualmente centrada em poucos produtos.
Marian Schuegraf enfatizou que o tratado abre novas portas para a exportação de produtos que estão diretamente ligados à sociobiodiversidade, como frutas amazônicas, cacau e pescado. Esses itens costumam ter maior valor agregado e estão em alta demanda no mercado europeu devido aos seus critérios de sustentabilidade e rastreabilidade, o que pode beneficiar produtores locais.
Além de facilitar o acesso a esses produtos, a redução de barreiras regulatórias deve ter um impacto positivo em micro, pequenas e médias empresas, assim como em cooperativas. O acordo também é esperado para atrair investimentos na região, especialmente nas áreas de transformação industrial e inovação, diminuindo a dependência da exportação de produtos primários.
Do ponto de vista ambiental, a embaixadora afirmou que o acordo pode criar incentivos econômicos que valorizam a conservação da Amazônia. Com isso, a demanda por produtos sustentáveis pode ser ampliada, levando a uma lógica que busca manter a floresta em pé ao invés de promover atividades que resultam em desmatamento. Essa abordagem se alinha com compromissos internacionais, como o Acordo de Paris, focando na preservação da biodiversidade e na luta contra as mudanças climáticas.
Fonte: Portal Amazônia