Ailton Krenak critica desenvolvimento na Amazônia em evento na UFRR
O ambientalista Ailton Krenak e o líder Yanomami Davi Kopenawa debateram os direitos indígenas e o modelo de desenvolvimento na Amazônia durante um evento na UFRR.

No último dia 29, o ambientalista Ailton Krenak expressou sua crítica ao modelo de desenvolvimento na Amazônia durante um evento realizado na Universidade Federal de Roraima (UFRR). O evento, que ocorreu no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF) em Boa Vista, também marcou o lançamento de dois livros do professor Edival Braga.
Krenak, que é escritor e filósofo, destacou a necessidade de repensar a relação com os ambientes em que vivemos. “Questionamos a ideia de desenvolvimento. Nós precisamos aprender a nos envolver com os ambientes em que vivemos,” afirmou durante sua fala, enfatizando a importância dos direitos indígenas nas decisões sobre grandes empreendimentos.
Os livros lançados, intitulados Teoria da Natureza Jurídica da Consulta aos Povos Originários e Estudo do Caso da Obra de Interligação de Roraima ao Sistema Nacional de Energia Elétrica, analisam os impactos das obras em territórios indígenas e a obrigação de consultar estas comunidades antes de iniciar qualquer projeto. Roraima foi interligada ao Sistema Interligado Nacional em 2025, um processo que envolveu a construção de torres em território indígena Waimiri Atroari.
Krenak criticou o que chamou de “modelo equivocado de desenvolvimento”, utilizando o exemplo dos Waimiri para ilustrar como não se deve proceder. “Agora nós estamos querendo debater como podemos compatibilizar isso que se chama desenvolvimento de uma maneira equivocada com a questão socioambiental,” enfatizou, defendendo que a dignidade das comunidades deve ser prioridade nas decisões.
O líder Yanomami Davi Kopenawa, que também participou do evento, reforçou a importância da união entre os povos. Ele declarou que é essencial unir indígenas e não indígenas para enfrentar as dificuldades sociais e ambientais. O autor Edival Braga, que é professor de direito e procurador, destacou que seu trabalho é uma reflexão que respeita as vozes indígenas e busca um diálogo entre culturas.
Fonte: Portal Amazônia