Amapá pode se tornar referência global na mineração de terras raras
O Amapá possui 65 processos minerários ativos voltados para terras raras, com foco em Calçoene e Oiapoque. Especialistas destacam a necessidade de investimentos para confirmar o potencial da região.

O estado do Amapá tem se destacado no cenário mineral brasileiro, concentrando atualmente 65 processos minerários ativos relacionados a terras raras. Esses processos estão interligados à exploração de outros minerais, como o ouro. Os municípios de Calçoene e Oiapoque são os que mais se destacam nas pesquisas minerárias, atraindo a atenção de empresas do setor.
A busca por elementos de terras raras intensificou-se em 2022, quando a Agência Nacional de Mineração (ANM) registrou 53 protocolos de pesquisa. Especialistas alertam que, embora o foco das empresas esteja voltado para o ouro, a descoberta de terras raras pode ocorrer como um resultado inesperado das investigações.
Estudos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam a presença de elementos de terras raras em áreas como Ferreira Gomes e Oiapoque. No entanto, a confirmação desse potencial depende de significativos investimentos em pesquisa geológica, já que a viabilidade econômica das concentrações encontradas ainda é incerta.
O professor Franciolli Araújo, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), destaca que, apesar da possibilidade de encontrar terras raras em várias regiões do estado, a concentração que permita a produção de um concentrado comercialmente viável ainda é uma incógnita. Ele ressalta que, por ora, as buscas estão mais voltadas para o ouro, com terras raras sendo um possível bônus.
Além disso, a Universidade Federal de Catalão e outras instituições estão trabalhando em propostas para coletar amostras em áreas promissoras de terras raras no Amapá. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), aprovada pelo Senado em 2 de setembro, visa estimular a exploração mineral no Brasil, com um fundo garantidor e a possibilidade de crédito tributário de até R$ 5 bilhões. O projeto agora aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte: Portal Amazônia