Amazônia perde 1,8 mil km² de refúgios para aves ameaçadas em dois anos
Mais de 1,8 mil km² de florestas foram desmatadas nas Áreas Importantes para a Conservação das Aves na Amazônia, colocando em risco a biodiversidade regional.

As Áreas Importantes para a Conservação das Aves (IBAs) no Brasil sofreram uma significativa perda de vegetação, totalizando mais de 1,8 mil km² de florestas desmatadas entre 2023 e 2025. Esta análise, realizada pela InfoAmazonia, destaca a vulnerabilidade dessas áreas, que são cruciais para a preservação da biodiversidade local.
O desmatamento nas IBAs compromete a vida de diversas espécies de aves, como o gavião-real, que depende de grandes áreas de florestas para caçar e se reproduzir. O gavião-real, conhecido cientificamente como Harpia harpyja, é uma das maiores aves de rapina da América e pode ter uma envergadura de asas superior a dois metros.
Essas áreas, que são parte de uma iniciativa global da BirdLife International, foram definidas pela ciência, mas não possuem proteção legal adequada dentro do sistema de conservação do Brasil. Apenas 15% das IBAs estão totalmente protegidas, o que representa um grande risco para a sobrevivência de espécies raras, como o jacamim-de-costas-escuras, classificado como Criticamente em Perigo.
Com a fragmentação e o desmatamento, as aves enfrentam dificuldades adicionais, como competição por alimento e a construção de ninhos. O pesquisador Mario Cohn Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), ressalta a necessidade urgente de restaurar as florestas nativas, afirmando que “os dias estão contados do jeito que está o desmatamento”.
Além das consequências diretas sobre as aves, o desmatamento afeta o ecossistema como um todo, interrompendo o ciclo natural de dispersão de sementes e o equilíbrio das populações de animais. O coordenador da Save Brasil, Edson Ribeiro, enfatiza a importância de priorizar a conservação ambiental, citando que “a natureza não reconhece limites e fronteiras geográficas”. Portanto, a proteção das IBAs e o fortalecimento das políticas de conservação se tornam essenciais para garantir a sobrevivência da biodiversidade na Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia