Amazônia se recupera das queimadas, mas efeitos permanecem
Estudo aponta que, apesar da recuperação da floresta amazônica, as consequências das queimadas ainda são sentidas. Em 2024, 15,5 milhões de hectares foram afetados.

Um estudo realizado ao longo de 20 anos refuta a ideia de que queimadas possam transformar a floresta amazônica em savana. O ano de 2024 marcou uma das piores crises para a Amazônia, com aproximadamente 15,5 milhões de hectares devastados por incêndios, uma área maior do que a dos estados do Amapá ou Ceará, conforme dados do Observatório Regional Amazônico (ORA).
A combinação de fatores climáticos e humanos contribuiu para esse cenário desolador. O fenômeno El Niño resultou em longos períodos de estiagem na região Norte do Brasil, deixando a vegetação extremamente seca e vulnerável ao fogo. Além disso, o desmatamento acumulado ao longo dos anos fragilizou a cobertura florestal, expondo bordas que facilitam a propagação das chamas.
Com a normalização das chuvas, o número de áreas afetadas por queimadas diminuiu significativamente em 2025, reduzindo para pouco mais de 3 milhões de hectares. Contudo, previsões meteorológicas indicam um novo retorno do El Niño em 2026, o que pode tornar a floresta mais suscetível a incêndios novamente.
Estudo Revela Impactos das Queimadas
Uma pesquisa inovadora, conduzida por cientistas do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp em parceria com a Universidade Yale e outras instituições, analisou os efeitos das queimadas e de secas severas na Amazônia. O estudo utilizou métodos experimentais para observar como a floresta se recupera após queimadas controladas, testando a hipótese de que as mudanças climáticas transformariam a floresta em savana.
Após um ciclo de queimadas e 14 anos de observação, os biólogos descobriram que a recuperação da floresta mantém características de um bioma tropical, embora com algumas variações. Mesmo recuperadas, as áreas queimadas tornaram-se mais vulneráveis a novos incêndios, especialmente nas bordas florestais, onde o contato com áreas desmatadas é mais intenso.
Resultados e Implicações do Estudo
Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), destacando que as áreas queimadas apresentaram uma diminuição na riqueza de espécies. Em comparação aos períodos anteriores ao fogo, as áreas com queimadas anuais mostraram uma redução de 31,3% na diversidade de espécies, enquanto nas áreas com queimadas trienais essa perda chegou a 50,8%.
Os pesquisadores ressaltam que a floresta se recuperou, mas em uma nova configuração, com uma predominância maior de espécies pioneiras em relação às espécies tardias. Isso implica uma capacidade reduzida de estocar carbono, afetando a saúde ecológica da região. A pesquisa evidencia a complexidade da dinâmica ecológica, alertando para a necessidade de proteção das áreas de borda, que enfrentam os impactos mais severos das queimadas.
Fonte: Portal Amazônia