Ameaça à biodiversidade: perda de habitat das abelhas em Belterra
Desmatamento, queimadas e uso de agrotóxicos ameaçam abelhas em Belterra, Pará. João do Mel alerta sobre os riscos à polinização e à saúde humana.

A degradação do habitat das abelhas em Belterra, no Pará, é um assunto alarmante, especialmente com a proximidade do Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio. Além da utilização de agrotóxicos nas lavouras, o desmatamento e as queimadas também têm contribuído para a diminuição dos habitats desses importantes polinizadores.
João do Mel, um morador da região cercada por plantações de soja, compartilhou suas preocupações em um programa da Rádio Agência Nacional, onde expressou como as mudanças ambientais nas últimas duas décadas afetaram a produção de mel. Segundo ele, a produção dos insetos caiu drasticamente: "Há 20 anos, uma abelha produzia de seis a sete quilos de mel. Hoje não produz meio quilo", enfatizou.
O impacto dos agrotóxicos vai além da simples perda de produção. João do Mel destacou que esses venenos estão afetando tanto o pasto baixo quanto o alto, sendo transportados pelo vento e pela chuva. Ele alerta para as graves consequências do desequilíbrio ambiental resultante da diminuição das populações de abelhas, afirmando que a extinção desses polinizadores poderia ameaçar a sobrevivência humana.
"Se as abelhas forem extintas de cima da terra, o ser humano também vai, vai haver um desequilíbrio muito cruel", disse João, comparando a importância das abelhas ao sal, que é essencial para dar sabor à natureza. Esse desequilíbrio ecológico pode ter um efeito cascata sobre a biodiversidade e a produção agrícola.
Além da produção de mel, João também explicou as diferenças entre o mel da abelha sem ferrão e o da abelha melífera, destacando que o primeiro contém uma umidade de 27% a 28%, enquanto o segundo varia de 16% a 17%. Ele criticou a escassez de fiscalização sobre o uso de agrotóxicos e relacionou isso ao aumento de doenças entre os moradores de Belterra, apontando que o índice de câncer na região subiu 50% ao longo dos anos. Outros moradores, como Lucival do Pimentel e José Batista Ferreira, também denunciaram os efeitos da pulverização de venenos e da destruição ambiental.
Fonte: Portal Amazônia