Ameaça da Desinformação: Vídeos Falsos Gerados por IA Crescem na Internet
O uso crescente de deepfakes e outras tecnologias de IA levanta preocupações sobre a desinformação e seus impactos nas democracias. Pesquisas mostram que a manipulação de conteúdo digital se intensificou nos últimos anos.

Manaus - O aumento do uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) levanta uma questão importante sobre a confiabilidade dos conteúdos digitais. A manipulação de informações nas redes sociais agora se apresenta em um formato ainda mais complexo e perigoso, permitindo que não apenas textos, mas também vozes e rostos sejam alterados. Essa prática é conhecida como “deepfakes”, uma combinação de “deep learning” (aprendizado profundo) e “fake” (falso).
De acordo com a pesquisa “O impacto da IA no Fact-checking Global”, realizada pela Agência Lupa, o fenômeno da desinformação tem se intensificado, com cerca de 81,2% dos casos de manipulação envolvendo tecnologias de IA surgindo somente nos últimos dois anos, entre janeiro de 2024 e março de 2026. Os temas mais frequentemente abordados incluem eleições, guerras e golpes, o que evidencia o potencial de desestabilização da democracia por meio da desinformação digital.
O número de checagens de conteúdo manipulado aumentou de 160 casos em 2023 para 578 em 2025, com 205 verificações já registradas até março deste ano. Esse crescimento acende um alerta, especialmente em anos eleitorais, onde a disseminação de informações falsas tende a ser mais rápida, explorando crenças pessoais e emoções, além de se beneficiar da repetição como uma forma de legitimação.
As fake news costumam apelar a sentimentos intensos, como raiva e indignação, criando um ciclo de compartilhamento que dificulta a análise crítica. Esse fenômeno é potencializado por bolhas de informação nas redes sociais, onde os usuários recebem conteúdos que confirmam suas crenças, tornando-os mais suscetíveis a desinformações e limitando sua exposição a diferentes perspectivas.
O Global Risks Report 2025, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, classifica a desinformação como o principal risco de curto prazo para as democracias, podendo impactar decisões críticas em áreas como saúde e educação. Para combater essa ameaça, é fundamental que os cidadãos adotem uma postura crítica e busquem fontes confiáveis para verificar informações, além de denunciarem conteúdos enganosos e apoiarem iniciativas de educação midiática.
Fonte: D24AM