Antônio José Pereira Sotto Mayor: Legado na Sociedade Portuguesa Beneficente de 1914
Antônio José Pereira Sotto Mayor liderou a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas durante um período difícil, marcado pela crise da borracha.

Antônio José Pereira Sotto Mayor foi uma figura emblemática à frente da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, onde presidiu o hospital com coragem e determinação. Sua dedicação à comunidade e às suas virtudes inspiraram os diretores de sua época e garantiram a continuidade do serviço prestado à população.
O ano de 1914 foi desafiador, especialmente com o declínio da indústria da borracha, que começou a se manifestar a partir de 1910. A administração de Sotto Mayor enfrentou a resistência da crença de que a Hévea da Amazônia não se adaptaria a outras regiões, além das previsões pessimistas de técnicos norte-americanos sobre a produção de borracha.
Enquanto opiniões divergentes surgiam, outros se dedicavam a experimentos em viveiros, o que resultou em um crescimento exponencial da produção de borracha, saltando de 4 toneladas em 1900 para 800.808 toneladas em 1930. Esse crescimento contrastou fortemente com a queda da produção brasileira, que despencou de 37.938 toneladas em 1910 para apenas 6.500 toneladas em 1930.
A gestão de Sotto Mayor foi marcada por dificuldades imensas, com muitas organizações comerciais e seringais fechando suas portas. O comércio local, que anteriormente prosperava, enfrentou um colapso, o que resultou em desemprego e falências em Manaus, afetando diretamente a arrecadação do governo e levando a um atraso nos salários dos funcionários públicos.
Apesar das adversidades, Sotto Mayor se destacou como um líder resiliente e comprometido com o Hospital Português, que se tornou um símbolo de luta e perseverança. Sua administração e as iniciativas de outros imigrantes portugueses foram essenciais para a manutenção do hospital, refletindo um compromisso com a comunidade e com a causa lusitana, que perdura na memória coletiva de Manaus até os dias atuais.
Fonte: Portal Amazônia