Anvisa inicia monitoramento de canetas emagrecedoras devido a efeitos colaterais
A Anvisa lança um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar os efeitos colaterais das canetas emagrecedoras, enfrentando o aumento de complicações no Brasil.

Na quarta-feira, dia 6 de setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou um novo Plano de Farmacovigilância Ativa, motivado pela crescente utilização das canetas emagrecedoras no Brasil. Esses medicamentos, frequentemente usados de forma inadequada, têm gerado preocupações devido aos seus efeitos colaterais, que a Anvisa pretende monitorar de maneira mais sistemática.
A iniciativa representa uma mudança significativa na abordagem da Anvisa. Em vez de depender apenas de relatos voluntários de médicos e pacientes, a agência estabelecerá uma parceria com instituições de saúde para realizar um acompanhamento proativo. O objetivo é identificar de forma eficaz os efeitos adversos associados ao uso dos agonistas do receptor do GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.
De acordo com o diretor da Anvisa, Thiago Lopes Cardoso Campos, essa ação surge em resposta ao aumento expressivo no consumo desses medicamentos e à elevação das complicações relacionadas no Brasil. Entre os anos de 2018 e março de 2026, foram relatadas 2.965 notificações de eventos adversos, com um pico em 2025, sendo a semaglutida a substância mais frequentemente associada a esses casos.
O diretor ressaltou que, apesar dos benefícios comprovados das canetas emagrecedoras no tratamento de diabetes e obesidade, seu uso tem se expandido para situações não aprovadas e, muitas vezes, sem a supervisão médica necessária. Além disso, a crescente demanda por esses produtos tem alimentado o mercado de medicamentos falsificados, o que representa um sério risco à saúde dos pacientes.
A Anvisa também firmou um acordo de cooperação com a Polícia Federal para intensificar as ações contra a venda de medicamentos irregulares. Campos destacou que a adesão de outros hospitais e instituições com expertise na qualificação das notificações é crucial para garantir a segurança no uso desses medicamentos. O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, enfatizou a necessidade de uma atuação vigilante e coordenada da agência para lidar com o crescente interesse nas canetas emagrecedoras, reforçando que o modelo de farmacovigilância ativa é fundamental para detectar precocemente efeitos adversos.
Fonte: D24AM