Apostas online afastam jovens da escola e ameaçam permanência na faculdade
Dependência em apostas online afasta jovens da escola e ameaça permanência na faculdade, segundo especialistas e pesquisa da ABMES.

MANAUS – A psicóloga educacional Vanessa Karolynna acompanha casos de jovens que relatam dependência em plataformas de apostas online no Amapá. Segundo Vanessa, as consequências do vício em apostas vão além da queda no desempenho escolar, afetando a saúde mental, as relações familiares, a vida social e até a saúde física.
Em um dos casos relatados por Vanessa, um estudante do ensino superior utilizava todo o salário para bancar apostas e enfrentou problemas para pagar a faculdade. “Essa situação acabou gerando conflitos familiares, perdas financeiras e um intenso sofrimento psicológico. O prejuízo foi muito além da questão financeira. O envolvimento com as apostas comprometeu a saúde mental, as relações familiares, a vida social e até a saúde física. Ele passou a apresentar muita ansiedade, uma necessidade constante de acompanhar as apostas pelo celular, dificuldade para dormir, alimentação inadequada e perda da qualidade de vida”, contou a psicóloga.
Vanessa observou que casos como esse começaram a aparecer com mais frequência entre os jovens, principalmente após a regulamentação das apostas de quota fixa em 2018, sancionada pelo então presidente Michel Temer. Apesar da exigência de idade mínima de 18 anos para apostar, adolescentes conseguem acessar as plataformas informando dados de terceiros.
De acordo com pesquisa da ABMES (Associação Brasileira de Mantedoras de Ensino Superior), 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam interromper as apostas para iniciar os estudos no primeiro semestre de 2025. A projeção nacional indica que dos 2,9 milhões de estudantes que ingressariam no ensino superior privado em 2026, cerca de 986 mil correm risco de não efetivar a matrícula devido ao comprometimento financeiro com apostas. Ainda segundo a pesquisa, 14% dos alunos matriculados em faculdades particulares atrasaram as mensalidades ou trancaram o curso por causa dos gastos com apostas.
O professor de economia do IFAC, Sérgio Lobão, destaca que as apostas podem desestimular o jovem e levá-lo à inadimplência, principalmente entre famílias de baixa renda. “Os relatos que ouvimos sempre são dessa facilidade, mesmo menores de idade. São vendidas imagens de ganhos e lucros rápidos e fáceis na ponta da mão. Acaba se tornando um hábito diário”, afirmou. Já a professora de matemática Silmara Branco, da escola estadual Dr. Isaac Sverner, em Manaus, desenvolveu um projeto de letramento financeiro digital para conscientizar alunos sobre o uso do dinheiro. O professor de matemática Daniel Costa, da rede pública de Manaus, reforça: “A educação financeira desenvolve o autocontrole, o planejamento e a consciência sobre o uso do dinheiro. Essas habilidades ajudam a reduzir a vulnerabilidade às apostas e a outros comportamentos de risco”.
Fonte: Amazonas Atual