Artista Amazonense Brilha em Exposição Internacional na Coreia do Sul
A artista visual Manauara Clandestina representa o Brasil na 16ª Bienal de Gwangju com sua obra 'A Cobra Grande', destacando a migração e a identidade amazônida.

A artista visual Manauara Clandestina, natural de Manaus, foi confirmada como uma das participantes da 16ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul. Este evento, que acontece de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026, marca a estreia do Brasil com seu primeiro Pavilhão na história da Bienal, intitulado “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”.
Na mostra, Clandestina apresenta a instalação têxtil monumental chamada “A COBRA GRANDE” (2026), que foi criada em parceria com seu irmão, Henrique de Farias, que é psicólogo e educador. A obra resulta do diálogo entre uma lenda ancestral da Amazônia e as realidades da migração e do trabalho, refletindo a experiência pessoal dos artistas.
A artista afirmou: “Desenvolver A Cobra Grande ao lado do meu irmão transformou a nossa própria experiência de deslocamento em matéria artística. Usamos uniformes, tecidos e marcas de uso para construir esse corpo em movimento, mostrando que a migração e o trabalho também são lugares de criação, resistência e reexistência.”
A instalação é composta por vestimentas funcionais e tecidos que carregam memórias de travessias, evocando a figura mítica da Cobra Grande, que habita os rios amazônicos. Para Clandestina, essa serpente serve como uma metáfora da experiência migratória e da identidade amazônida, simbolizando um corpo que se transforma e se adapta, mas que nunca perde sua conexão com suas raízes.
A obra foi desenvolvida em um percurso que inclui residências artísticas em locais como AiR 351 em Cascais, Portugal, e Tropismo em Seul, culminando na Bienal de Gwangju. Manauara Clandestina, cuja trajetória começou nas missões evangélicas do interior do Amazonas, agora se destaca em performances que exploram a vida noturna urbana e a experiência travesti, enriquecendo o cenário cultural com suas reflexões sobre identidades e subjetividades.
Fonte: Portal Amazônia