As Nações Unidas aprovam novo mapa-múndi com correção de distorções
A Assembleia Geral da ONU decidiu, em 4 de agosto, corrigir a representação da África, Ásia e América do Sul no mapa-múndi, com apoio de 164 países.

BRASÍLIA – A Assembleia Geral das Nações Unidas, em uma votação realizada na sexta-feira, dia 4 de agosto, aprovou uma proposta que visa corrigir a distorção histórica na representação da África, América do Sul e Sul da Ásia nos mapas-múndi. Desde o século 16, essas regiões foram retratadas de maneira menor do que realmente são, perpetuando uma visão distorcida do mundo.
A proposta, liderada pelo Togo e apoiada por outros países africanos, recebeu o voto favorável de 164 nações. Apenas os Estados Unidos se opuseram à mudança, enquanto seis países optaram por se abster. A ONU explicou que essa alteração é necessária para “mostrar de forma mais justa algumas regiões do mundo”.
Em seu discurso antes da votação, o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, afirmou que a aprovação da proposta representa uma afirmação da “verdade científica” pela Assembleia Geral. Ele destacou que a decisão não diz respeito apenas à correção de um mapa, mas à correção da percepção global sobre as dimensões dos continentes.
O modelo de projeção utilizado até agora, conhecido como projeção de Mercator, foi criado em 1569 para navegação, mas acabou sendo amplamente utilizado em materiais educacionais e oficiais. Essa projeção ampliou as massas de terra localizadas ao norte e ao sul do Equador, levando a uma representação desequilibrada do mundo, conforme apontaram os representantes africanos.
A proposta da União Africana inclui a adoção do modelo de “Terra Igual”, que representa os continentes de forma mais precisa. Os representantes afirmaram que as distorções nos mapas têm efeitos cognitivos, educacionais e socioeconômicos, e a sua correção promoverá reconhecimento e justiça. A ONU, por sua vez, vincula essa mudança ao Pacto para o Futuro, que visa eliminar desigualdades históricas e promover o desenvolvimento entre os povos.
Fonte: Amazonas Atual