Aumento alarmante: 3.164 casos de violência sexual contra jovens em 2025
Entre 2021 e 2025, Amazonas registrou 11.214 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, com 2025 sendo o ano com mais notificações.

MANAUS - De acordo com o boletim epidemiológico da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), entre 2021 e 2025, foram contabilizadas 11.214 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. O ano de 2025 apresentou um recorde alarmante, com 3.164 casos registrados, resultando em uma taxa de 208,6 casos por 100 mil habitantes.
Os dados revelam um aumento significativo de 99,6% nas notificações quando comparados a 2021, que teve 1.585 casos. Nos anos seguintes, a situação continuou a se agravar: em 2022 foram 1.924 notificações, em 2023, 2.113, e em 2024, 2.428 registros. A diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim, atribui esse crescimento ao fortalecimento da rede de vigilância e à identificação mais eficaz dos casos pelos serviços de saúde.
Tatyana Amorim destacou: “A ampliação das notificações representa um esforço conjunto de fortalecimento da vigilância, sensibilização dos profissionais e maior integração da rede de proteção. Isso significa que mais casos estão sendo identificados e encaminhados para atendimento, cuidado e garantia de direitos.” O perfil das vítimas em 2025 mostra que 93,1% (2.946) são meninas, enquanto 6,9% (218) são meninos, com a faixa etária de 10 a 14 anos representando 57,9% dos casos.
Ademais, 54,4% das notificações indicam a repetição do abuso, evidenciando um ciclo contínuo de violência. O tipo mais comum de violência sexual relatado foi o estupro de vulnerável, com 1.758 casos (55,6%), seguido por estupro (864 casos) e assédio sexual (709 casos). A maioria das ocorrências de violência sexual (78,4%) acontece dentro da residência das vítimas.
Em 2025, Manaus liderou com 1.537 casos, seguida por Tefé, Parintins e Manacapuru. As taxas mais elevadas de violência foram registradas em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari. O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS, Alexsandro Melo, ressaltou a importância desses dados para direcionar políticas públicas de prevenção e a coordenadora estadual de Viva, Cassandra Torres, enfatizou que o enfrentamento da violência sexual demanda uma atuação integrada entre vários setores.
Fonte: Amazonas Atual