Avanço no Brasil: suco gástrico pode indicar câncer de estômago
Pesquisadores brasileiros descobrem que suco gástrico, antes descartado, pode ajudar na detecção do câncer de estômago.

Um novo avanço na ciência brasileira está transformando a maneira como o câncer de estômago pode ser avaliado. Um estudo feito por Emmanuel Dias Neto, do A.C.Camargo Cancer Center, foi publicado na revista científica eLife e revelou que um material geralmente descartado durante exames médicos pode oferecer informações valiosas sobre a presença da doença.
O foco do estudo é o suco gástrico, um líquido coletado no início da endoscopia digestiva alta. Anteriormente, esse líquido era utilizado apenas para facilitar a realização do exame, sendo logo depois eliminado. Agora, a pesquisa demonstrou que ele pode ser um aliado na detecção de alterações no estômago.
A análise do suco gástrico se baseia na quantidade de DNA livre presente nesse líquido. Esse material genético é liberado pelas células do corpo, especialmente em situações de alteração ou dano no tecido, o que é comum em casos de câncer. Assim, o suco gástrico pode concentrar fragmentos de DNA que atuam como indicadores indiretos da presença de tumores.
A praticidade do método é um de seus principais diferenciais, uma vez que o suco gástrico já é coletado rotineiramente durante a endoscopia, eliminando a necessidade de novos exames. Isso representa uma vantagem significativa, pois o método pode enriquecer a investigação clínica sem complicar o processo.
Ainda que a biópsia permaneça como o principal exame para confirmar a presença de câncer de estômago, ela tem suas limitações. Dependendo da coleta de pequenos fragmentos de tecido, pode não representar a extensão total da lesão. Nesse contexto, o suco gástrico pode oferecer uma visão mais abrangente ao reunir sinais de diversas regiões do estômago.
Além da detecção, o estudo publicado na eLife também observou que alguns pacientes com níveis elevados de DNA no suco gástrico apresentaram uma evolução clínica mais positiva. Isso pode estar relacionado à resposta do organismo, onde pacientes com maior concentração de DNA mostraram uma atividade imunológica mais intensa, indicando uma reação mais robusta contra o tumor.
É importante ressaltar que, apesar do potencial promissor, a técnica ainda não pode ser utilizada de forma isolada, pois níveis elevados de DNA também podem ocorrer em condições benignas, como inflamações e gastrites. Por isso, especialistas recomendam que essa análise seja combinada com outros exames clínicos e laboratoriais. Além disso, são necessárias novas pesquisas para confirmar esses achados e, caso se prove eficaz, essa estratégia pode se integrar à prática clínica, tornando os exames existentes mais eficientes e informativos.
Fonte: D24AM