Brasil avança nas negociações com os EUA, mas exclui etanol das discussões
O Brasil está progredindo nas negociações com os Estados Unidos, focando na cooperação contra crimes transnacionais, mas mantendo o etanol fora das conversas.

Em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, anunciou nesta terça-feira (7) que o Brasil está avançando nas negociações com os Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, houve uma abertura por parte dos EUA para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional.
Após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o ministro considerou que esses diálogos são estratégicos para o governo brasileiro. "Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto", afirmou.
Márcio Elias Rosa também mencionou que uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, estão previstos para ocorrer ainda nesta semana, antes do término da consulta pública que precede a decisão sobre as tarifas. No entanto, o ministro reforçou que o governo brasileiro pretende manter as negociações restritas à questão tarifária.
O ministro ainda defendeu que o etanol permaneça fora das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Ele destacou que discutir apenas a tarifa do biocombustível ignora a interconexão entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos para a indústria nacional. "É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade", lamentou.
Durante uma audiência pública promovida pelo USTR, representantes de entidades do setor sucroenergético reiteraram a posição do governo brasileiro, argumentando que a queda das importações de etanol americano se deve não apenas às tarifas, mas também à expansão da produção nacional. Para o setor, Brasil e Estados Unidos, sendo os dois maiores produtores de etanol do mundo, deveriam priorizar a expansão do mercado internacional de biocombustíveis em vez de intensificar as disputas comerciais bilaterais.
Fonte: D24AM