Brasil lidera número de pessoas com ansiedade no mundo, diz OMS
Brasil é o país com maior número de pessoas com ansiedade no mundo, segundo OMS. Saúde mental é principal preocupação para 52% dos brasileiros, com aumento de afastamentos por transtornos.

De acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas com ansiedade no mundo. O dado revela a dimensão do transtorno que atinge milhares de brasileiros.
A personal trainer Rafaela Ferreira foi diagnosticada com ansiedade e relata diversos sintomas, como dores físicas, insônia, movimentos repetitivos e mudanças de humor. "Tinha muita dor de cabeça. Aí ficava muito irritada, muito irritada. O problema de não dormir também e ficar sacudindo os pés me deixava no outro dia também extremamente irritada. Não queria sair, não queria fazer nada. Tentava dormir de dia, mas também era impossível dormir. Foi uma época que foi muito difícil, né?", conta Rafaela.
Esses problemas afetaram a vida profissional de Rafaela. Ela explica que, ao gravar vídeos para as redes sociais, apresentava tiques como travar o rosto e fazer caretas, o que dificultava seu trabalho, já que sua atividade principal é nas redes sociais.
Segundo o Relatório sobre Serviços de Saúde 2025 da empresa de pesquisa Ipsos, a saúde mental é considerada o maior problema de saúde em 18 países, incluindo o Brasil, superando doenças como câncer e obesidade. No Brasil, 52% dos entrevistados afirmam que a saúde mental é sua maior preocupação, contra 18% em 2018. Entre as mulheres, esse percentual chega a 60%. O país está na quinta posição entre os com maiores índices de estresse.
O Ministério da Previdência registrou quase 200 mil afastamentos por transtornos mentais em 2021, número que aumentou para mais de 546 mil em 2022. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta que ansiedade e depressão são os principais transtornos que causam afastamentos, além do crescimento de casos de estresse crônico e síndrome de burnout.
O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, destaca que fatores sociais como desigualdade, insegurança financeira e instabilidade no trabalho contribuem para o aumento dos casos. Ele ressalta ainda que o estilo de vida acelerado e sobrecarregado também é um desafio para a saúde mental. Para preservar a saúde mental, recomenda hábitos como dormir bem, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, preservar o convívio social e estabelecer rotina saudável. Técnicas de relaxamento e meditação também podem ajudar, mas não substituem tratamento quando há doença mental instalada.
Rafaela buscou ajuda psicológica e psiquiátrica e relata melhora com o tratamento. "O tratamento tem sido bom, favorável. Salvo quando os dias que eu fico mais ansiosa eu percebo que o medicamento é um pouco fraco, mas assim, não são todos os dias. E como eu consigo conversar ainda com a minha psicóloga uma vez a cada 15 dias, vez ou outra eu peço a ajuda dela semanal. Então assim, o tratamento tá dando bastante diferença", afirma.
A Constituição Federal determina que a saúde é direito de todos e dever do Estado, incluindo a saúde mental, que deve ser assegurada sem qualquer forma de discriminação.
Fonte: D24AM