Brasil registra 81 tornados e pode superar recorde histórico em 2023
Até julho de 2023, o Brasil já contabilizou 81 tornados, com expectativa de superar o recorde de 92 até o final do ano, segundo a Prevots.

Em Brasília, um dado impressionante foi revelado: até o mês de julho de 2023, o Brasil já registrou 81 tornados, conforme informações da Prevots, a Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas. Essa plataforma é composta por meteorologistas voluntários que atuam em todo o país. A previsão é que até o final de 2023, este número possa ser ainda maior, superando o recorde anterior de 92 tornados, alcançado em 2022.
O relatório da Prevots destaca que entre 2018 e 2025, a quantidade de tornados no Brasil apresentou um crescimento constante. No entanto, os especialistas alertam que não é possível afirmar que esse aumento está diretamente relacionado às mudanças climáticas. Uma explicação para esse crescimento pode ser atribuída à evolução da tecnologia, permitindo que mais pessoas registrem a ocorrência de tornados com seus celulares, algo que era inviável há algumas décadas.
Estudos recentes indicam que o Brasil é o segundo país mais propenso a tornados no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Essa situação se deve às condições climáticas favoráveis, especialmente na Região Sul, onde ocorre a formação de supercélulas, um tipo de tempestade severa que pode gerar tornados. Essas supercélulas são caracterizadas por ventos intensos e a possibilidade de quedas de granizo grandes.
O meteorologista Vitor Castilho, da Universidade Federal de Pelotas, explica que as supercélulas se desenvolvem em situações onde há diferenças de temperatura entre massas de ar. Essas diferenças criam condições para tempestades severas que podem levar à formação de tornados. Recentemente, um tornado na última terça-feira resultou em quatro feridos e danos significativos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Rio Grande do Sul.
Apesar dos avanços nas previsões meteorológicas, os especialistas apontam que os radares brasileiros ainda estão defasados e precisam de modernização. Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria, destaca a importância de melhorar a cobertura dos radares para garantir alertas mais eficazes à população. Além disso, recomenda-se a construção de abrigos e a realização de simulações de evacuação para preparar as cidades para eventos meteorológicos extremos, que podem ser exacerbados por fenômenos como o super El Niño.
Fonte: D24AM