Brasil se mobiliza para recuperar fósseis e patrimônios em 14 países
O governo brasileiro, em parceria com o Ministério Público e instituições científicas, busca a restituição de fósseis e patrimônios culturais de pelo menos 14 países. A ação visa combater o colonialismo científico que prejudica a ciência nacional.

O governo brasileiro, por meio do Ministério Público, instituições científicas e pesquisadores, está empenhado em recuperar fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais e culturais que se encontram em pelo menos 14 países. Essa iniciativa é uma resposta ao que é conhecido como colonialismo científico, uma prática que prejudica a ciência e os museus no Brasil.
Conforme informações do Ministério das Relações Exteriores (MRE), atualmente existem cerca de 20 negociações em andamento para a restituição desses bens. A Procuradoria-Geral da República no Ceará também está envolvida nesse processo, com foco especial na repatriação de fósseis.
Os Estados Unidos se destacam como o país com o maior número de solicitações de devolução, com oito ações abertas, seguidos pela Alemanha com quatro, e o Reino Unido com três. Outros países como Itália, França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão possuem uma solicitação cada, enquanto pedidos feitos à Espanha e à Coreia do Sul foram rejeitados.
No mês passado, um acordo com a Alemanha foi firmado para a devolução do dinossauro Irritator challengeri, que viveu no Ceará há cerca de 116 milhões de anos e estava no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart desde 1991. A repatriação de bens culturais e fósseis tem sido um tema em crescimento, especialmente após o retorno ao Brasil do dinossauro Ubirajara jubatus em 2023.
Aline Ghilard, paleontóloga da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), destacou que a pressão popular tem sido fundamental para esses processos. Em 2020, cidadãos brasileiros se mobilizaram nas redes sociais para exigir a devolução do fóssil Ubirajara, o que impactou a imagem do museu alemão e facilitou o acordo de devolução. A luta pela restituição de patrimônios é um passo importante para corrigir desigualdades históricas e promover a ciência no Brasil.
Fonte: D24AM