Brinquedos com inteligência artificial podem representar riscos às crianças
Governo alerta para os perigos de brinquedos com IA, que podem invadir a privacidade e criar dependência nas crianças. Estudos estão em andamento.

Em Brasília, a alegria de uma criança ao receber um brinquedo de aniversário pode esconder riscos sérios. Um bicho de pelúcia que fala, conta piadas e responde perguntas pode parecer um amigo, mas por trás dessa interação está uma preocupação que merece atenção: a privacidade e a dependência que esses brinquedos podem gerar.
A Secretaria Nacional de Direitos Digitais, parte do Ministério da Justiça, divulgou uma nota técnica no início de julho alertando que seis modelos de brinquedos com inteligência artificial disponíveis no Brasil podem estar violando o ECA Digital, o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados. Esses brinquedos, que possuem microfones e câmeras, coletam informações sobre a criança, como sua rotina e preferências, e essas informações podem ser armazenadas na nuvem, frequentemente sem o conhecimento dos pais.
Além disso, esses brinquedos estão projetados para capturar a atenção das crianças de forma intensa, o que pode levar a um vício em sua interação, substituindo brincadeiras tradicionais como correr, desenhar ou jogar bola. O professor e consultor da Unesco em design ético e inteligência artificial, George Valença, menciona que essas tecnologias podem causar danos em diversos aspectos, desde a modulação do comportamento até a coleta excessiva de dados.
Valença ressalta que, embora os brinquedos com IA possam gerar manipulação emocional e dependência, a tecnologia em si não deve ser vista como uma inimiga. Quando usada de forma ética e responsável, a tecnologia pode ser uma aliada na promoção do bem-estar infantil. Ele defende que é possível criar brinquedos que sejam não apenas divertidos, mas também educativos e seguros, garantindo a autonomia das crianças.
Para orientar pais e responsáveis, o Ministério da Justiça está desenvolvendo um guia sobre inteligência artificial voltado para a infância e planeja lançar novos estudos até o final do ano. Enquanto isso, a Senacon e a Agência Nacional de Proteção de Dados continuam a investigar o tema. Uma recomendação para os pais é que muitas vezes a melhor brincadeira não requer tecnologia: basta usar a imaginação.
Fonte: D24AM