Cabo da PM é preso por gerenciar prostituição de adolescentes em Manaus
Um cabo da Polícia Militar do Amazonas foi preso por gerenciar uma casa de prostituição onde adolescentes eram mantidas em cárcere privado. A investigação teve início após denúncia de uma ONG.

MANAUS - A delegada Mayara Magna, responsável pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, revelou nesta terça-feira (23) que o cabo da Polícia Militar do Amazonas, Rayson Rodrigo Batista de Sá, de 36 anos, estava à frente de uma operação de prostituição envolvendo adolescentes. As vítimas, com idades entre 15 e 17 anos, eram provenientes de Itacoatiara e eram mantidas em cárcere privado em uma casa localizada no bairro Petrópolis, na zona sul de Manaus.
O militar foi detido preventivamente na segunda-feira (22) e, segundo a delegada, ele controlava todas as atividades do local. Rayson divulgava os atendimentos por meio de um aplicativo de mensagens e um site de classificados sexuais, além de monitorar a casa com câmeras internas, informando as adolescentes sobre a chegada dos clientes.
A investigação teve início a partir de uma denúncia feita por uma ONG à Ronda Maria da Penha, que apontava a presença de uma adolescente de 15 anos desaparecida desde 1º de junho no imóvel. Durante a operação de busca e apreensão, a polícia encontrou um caderno que continha uma tabela de preços para os atendimentos, revelando que os pagamentos eram realizados via Pix ou em dinheiro, caindo diretamente na conta do policial.
O cabo Rayson ficava com R$ 60 de cada programa, que custava R$ 150, enquanto o restante era repassado às adolescentes. As jovens, atraídas para Manaus com promessas de emprego, eram forçadas a se prostituir sob a alegação de que precisavam arcar com os custos de sua estadia na casa.
A delegada Mayara Magna também destacou que a própria Polícia Militar colaborou nas investigações, identificando uma conta de energia em nome do suspeito, o que contradiz a versão dele de que apenas sublocou o imóvel a uma das vítimas. A proprietária confirmou que o contrato de aluguel estava registrado em nome do cabo. Rayson, que atua no setor administrativo do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, foi afastado das funções e enfrenta um processo administrativo disciplinar que pode resultar em sua expulsão da corporação. Ele é investigado criminalmente por favorecimento à prostituição e rufianismo, enquanto a Polícia Civil trabalha para identificar os clientes que frequentavam o local.
Fonte: Amazonas Atual