Campanha Incentiva Domésticas a Denunciar Assédio Eleitoral
Entidades incentivam trabalhadoras domésticas a reportar pressões eleitorais de empregadores. Campanha destaca a importância da liberdade política no trabalho.

A empregada doméstica Leandra Lacerda, de 52 anos, compartilha sua experiência de conviver com pressões de patrões durante períodos eleitorais. Segundo ela, as imposições aconteceram de várias formas ao longo de suas quatro décadas de trabalho no setor, incluindo momentos em que a empregadora a gritava para votar em um determinado candidato.
Leandra começou sua carreira ainda na infância, aos 11 anos, e se tornou uma voz ativa na defesa dos direitos das trabalhadoras. Atualmente, ela é secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e tem se dedicado a encorajar outras profissionais a denunciarem violações, especialmente o assédio eleitoral que se intensificou nos últimos ciclos eleitorais.
Recentemente, a Fenatrad lançou a campanha “Não passaremos pano” em parceria com a ONG Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos. O objetivo é trazer à tona as diversas formas de violência que as trabalhadoras domésticas enfrentam, incluindo o assédio eleitoral, que Leandra classifica como uma violação grave em um ambiente de trabalho marcado pela solidão e invisibilidade.
O procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades, destaca que o assédio eleitoral ocorre quando empregadores utilizam sua autoridade para constranger ou intimidar suas funcionárias. Ele alerta que algumas práticas incluem exigir o título de eleitor e informações sobre a zona eleitoral, o que configura uma violação dos direitos trabalhistas.
A ONG Themis enfatiza que a democracia não pode ser comprometida pelo medo de perder um emprego. Jéssica Miranda, diretora da entidade, ressalta que o assédio eleitoral é uma questão séria, especialmente em um contexto de desigualdade de classe, gênero e raça. Para garantir a proteção das trabalhadoras, o MPT oferece suporte para denúncias, que podem ser feitas de maneira anônima, e já foram registradas cerca de 1,7 mil denúncias até o momento, com expectativa de aumento até o dia da eleição.
Fonte: D24AM