Cemitério São João Batista Recebe Documentário Sobre Santa Etelvina
O documentário 'Etelvina A Ressignificação da Tragédia' revisita a história de Etelvina de Alencar, símbolo de fé popular em Manaus, e será exibido nesta sexta-feira.

O Cemitério São João Batista, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus, será o cenário da estreia do documentário 'Etelvina A Ressignificação da Tragédia', nesta sexta-feira (15), às 20h. A obra revisita a trágica história de Etelvina de Alencar, que foi assassinada há 125 anos na capital amazonense e, ao longo dos anos, se transformou em um símbolo de fé popular.
Produzido ao longo de dois anos, o documentário apresenta relatos de pessoas que visitam o túmulo de Etelvina e afirmam ter recebido graças atribuídas a ela, conhecida como Santa Etelvina. As gravações ocorreram durante os Dias de Finados de 2024 e 2025, quando a equipe ouviu mais de 60 frequentadores do cemitério, proporcionando uma rica coletânea de testemunhos.
Etelvina foi tragicamente assassinada em 1901 por seu ex-namorado, um crime que também resultou na morte de outras quatro pessoas. O diretor do documentário, Cleinaldo Marinho, ressaltou que o filme não se limita ao resgate histórico, mas busca provocar reflexões sobre questões como a violência contra a mulher, memória e fé, destacando que a dor gerada pela tragédia é o ponto de partida para o surgimento da fé.
Marinho comentou sobre a importância de recuperar histórias como a de Etelvina para ajudar na reconstrução da identidade e pertencimento. Ele apontou que o caso dela evidencia uma violência estrutural contra as mulheres, marcada pelo controle e dominação. A memória, segundo ele, não é apenas sobre o passado, mas uma ferramenta de resistência no presente.
A atriz Rosana Neves, que interpreta Etelvina nas partes ficcionais do documentário, falou sobre a experiência de interpretar essa figura icônica. Para ela, o trabalho foi uma descoberta significativa e trouxe uma nova dimensão à sua carreira como atriz. O diretor enfatizou que a obra visa ampliar o debate sobre temas como memória, violência e a construção social de narrativas. O documentário foi viabilizado através do Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, com apoio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e recursos do Governo Federal.
Fonte: Portal Amazônia