Cerâmica Japuna é revitalizada por mulheres em Tefé, Amazonas
Mulheres ceramistas de Tefé resgatam a cerâmica ancestral Japuna em projeto do Instituto Mamirauá, promovendo tradição e geração de renda.

Em Tefé, no interior do Amazonas, um grupo de mulheres ceramistas está revitalizando a cerâmica ancestral Japuna, por meio de um projeto idealizado pelo Instituto Mamirauá. Denominado “Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões”, o projeto começou em 2025 e visa resgatar e dar nova vida a essa arte tradicional.
A cerâmica Japuna, cujo nome tem origem tupi e se refere ao assador de farinha, está sendo moldada novamente pelas mãos habilidosas de mulheres da comunidade da Missão. O projeto envolve um trabalho colaborativo entre essas mulheres e abrange três eixos de pesquisa, com o objetivo de evidenciar a continuidade das tradições cerâmicas.
As participantes do Clube de Mães, associação local, estão diretamente envolvidas em todas as etapas do processo de produção. Desde a coleta do barro até a modelagem e queima do material, as mulheres utilizam técnicas que aprenderam com suas mães e avós, o que fortalece o vínculo entre gerações e a preservação do conhecimento ancestral.
Dona Lucila Frazão, uma ceramista de 69 anos e descendente do povo Miranha, compartilha suas memórias sobre a produção de cerâmica em sua infância. “Lembro como se fosse hoje. Cada família produzia em sua própria casa; a produção era grande, com peças de cerâmica de grande porte”, relembra, expressando a importância da retomada dessa prática cultural.
Além de trazer à tona as japuna, as mulheres também estão criando outros itens de cerâmica que não eram produzidos há anos, como vasos e fogareiros. Este projeto não apenas resgata tradições, mas também abre novas oportunidades de geração de renda para as ceramistas. Em abril deste ano, a equipe do Instituto Mamirauá planeja visitar a comunidade de Nogueira para identificar mais mulheres que preservam práticas ancestrais, continuando assim o importante trabalho de valorização da cultura local.
Fonte: Portal Amazônia