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China investe na África para fortalecer o uso do yuan em comércio

A China está ampliando sua infraestrutura financeira na África, buscando reduzir a dependência do dólar e favorecer o uso do yuan nas transações comerciais.

Ana Beatriz Souza2 min de leituraChina, África, yuan
China investe na África para fortalecer o uso do yuan em comércio
Foto: Dólar: China girma acordos na África para não depender da moeda norte-americana (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

BRASÍLIA – A China está expandindo sua infraestrutura financeira na África com o objetivo de diminuir a dependência do dólar americano. Essa estratégia permite a realização de transações comerciais utilizando as moedas africanas e, principalmente, o yuan, a moeda chinesa. Apesar dos esforços, o uso do yuan no continente ainda representa uma fração pequena, e a desdolarização permanece um objetivo distante, mesmo para as autoridades de Pequim.

No final de junho, o Banco Central da China autorizou o uso do yuan para pagamentos no Standard Bank, o maior grupo bancário da África, que está sediado na África do Sul. Essa parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) possibilita que empresas realizem pagamentos em yuan, facilitando o comércio entre a África e a China. Segundo comunicado do Standard Bank, a colaboração coloca a instituição em uma posição vantajosa para lidar com transações em renminbi chinês (RMB), abrangendo 21 países africanos.

A China se tornou a principal parceira comercial da África, com um crescimento médio do comércio entre os dois, que alcança 14% ao ano, de acordo com dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em 1º de maio, o governo chinês anunciou a isenção de taxas de importação sobre produtos africanos, uma medida que deve estimular ainda mais o comércio entre os dois lados e reforçar essa relação financeira.

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O analista geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, comentou que, embora o avanço do yuan na África seja modesto, a China está investindo em uma infraestrutura que possibilitará transações sem a necessidade do dólar. Segundo ele, o volume de comércio em yuan é ainda mínimo, considerando a magnitude da economia global, mas tem apresentado um crescimento em comparação aos últimos anos.

Fernandes também ressalta que a desdolarização da economia mundial é uma das pautas do Brics, que inclui Brasil, China, Índia e África do Sul, entre outros países do Sul Global. Essa iniciativa é vista como uma forma de reduzir o poder político e econômico dos Estados Unidos, que se beneficiam da hegemonia do dólar. Apesar das movimentações, a China ainda não busca uma desdolarização imediata, devido a suas reservas em dólares e ao desejo de manter a competitividade das suas exportações.

Fonte: Amazonas Atual

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