Cientistas exploram a biodiversidade da Serra do Aracá no Amazonas
Uma expedição científica estuda a fauna e flora da Serra do Aracá, no Amazonas, com acampamentos montados entre 850 e 1.260 metros de altitude.

No dia 24 de agosto, um grupo de cientistas partiu em uma expedição científica para a Serra do Aracá, localizada no norte do Amazonas. Com acampamentos estabelecidos entre 850 e 1.260 metros de altitude, a equipe, composta por 16 pesquisadores de diversas instituições brasileiras, busca mapear a biodiversidade da região, focando em plantas e animais que habitam os tepuis do Parque Estadual da Serra do Aracá, em Barcelos.
Na sala de comando do 3º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro em Barcelos, os pesquisadores observavam um painel com uma fotografia aérea do parque, mostrando suas cachoeiras e a densa floresta ao redor. Esse momento de contemplação foi interrompido pela ordem de embarque em um helicóptero Black Hawk, que os levaria até a expedição, com a imagem capturada por Sebastião Salgado em 2019, na famosa série Amazônia.
Após cerca de uma hora de voo, a equipe desembarcou em um platô de tepui a 1.260 metros de altitude, onde foi montado o acampamento principal. Os cientistas puderam observar a paisagem de campos rupestres, que difere bastante da vasta floresta amazônica que caracteriza a região. Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito da Universidade de São Paulo e líder da expedição, destacou que essa é uma paisagem amazônica pouco conhecida por muitos.
A expedição, que conta com o apoio logístico do Exército Brasileiro, visa coletar uma ampla variedade de espécies de fauna e flora da área, além de amostras de água e solo. A equipe inclui especialistas em diferentes campos, como botânica, zoologia e entomologia, provenientes de instituições como USP, Inpa e UFSCar. O planejamento para essa expedição começou há três anos e envolve desafios logísticos significativos, como o transporte de materiais para os acampamentos.
Os cientistas irão se revezar entre os dois acampamentos, um principal e outro em um bloco desgarrado da Serra do Aracá, a 850 metros de altitude. As coletas de fauna e flora serão realizadas em rodízio, com grupos alternando entre os acampamentos. Com a expectativa de registrar uma diversidade maior de espécies, a expedição se propõe a responder questões sobre a ecologia e a evolução das comunidades biológicas em diferentes montanhas da região.
Fonte: Portal Amazônia