CNJ apresenta proposta para evitar conflitos de interesse entre juízes
O ministro Edson Fachin propôs novas regras para prevenir conflitos de interesse na atuação de juízes, destacando a importância da ética no Judiciário.

Na última terça-feira, dia 4 de julho, o ministro Edson Fachin, que preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também o Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma proposta voltada à criação de regras destinadas a prevenir e gerenciar conflitos de interesse envolvendo juízes. Segundo Fachin, esse assunto é "prioritário e vital" para o fortalecimento do Poder Judiciário, enfatizando a necessidade de consolidar a ética como parte da cultura organizacional do sistema.
Fachin, durante sua gestão à frente do CNJ, observou que 14 magistrados foram afastados desde que assumiu o cargo, o que ressalta a urgência da proposta. A minuta de resolução que foi apresentada contém diretrizes para regular a participação de juízes em eventos privados, a aceitação de presentes e a atuação de escritórios de advocacia que tenham parentes de magistrados nos tribunais.
De acordo com informações do CNJ, a proposta estabelece princípios e mecanismos que visam identificar, declarar, tratar e mitigar situações que possam comprometer a imparcialidade, a transparência e a confiança pública na atuação de juízes e servidores. Após a apresentação da proposta, Fachin abriu um prazo de 60 dias para que os tribunais de todo o Brasil possam sugerir melhorias à minuta.
Se a resolução for aprovada, haverá um período adicional de seis meses para que os tribunais adequem suas normas internas às novas diretrizes. As regras sugerem que os tribunais realizem um mapeamento de relações familiares ou profissionais que possam suscitar dúvidas sobre a imparcialidade dos magistrados em suas decisões.
Outro aspecto importante da proposta é que os tribunais deverão monitorar relações com fornecedores e prestadores de serviços, além de grandes litigantes e agentes econômicos que possam gerar questionamentos sobre as decisões judiciais. Vale destacar que, se aprovada, a resolução afetará tribunais estaduais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os tribunais regionais federais, mas não terá impacto sobre o cotidiano dos ministros do STF, que não estão sujeitos ao controle do CNJ. Simultaneamente, no STF, tramita uma proposta para a criação de um Código de Ética para os ministros, com a relatoria da ministra Cármen Lúcia.
Fonte: D24AM