Como o El Niño provoca seca no Norte e chuvas intensas no Sul do Brasil
O fenômeno El Niño altera a circulação atmosférica, causando seca na Amazônia e chuvas no Sul. Entenda como isso acontece e suas previsões para os próximos meses.

O fenômeno conhecido como El Niño é um evento climático que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas na superfície do Pacífico Equatorial central e leste. Essa alteração na temperatura do oceano afeta a circulação da atmosfera, o que pode resultar em padrões de chuva e temperatura distintos em várias regiões do Brasil.
Nos próximos meses, a atenção deve ser redobrada. O Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026–2027, divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e outros órgãos de monitoramento climático, revela que há uma maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar volumes de chuvas abaixo do normal.
Mas como um único fenômeno pode provocar seca em uma parte do país e chuvas em outra? O meteorologista Leonardo Vergasta explica que o aquecimento do Pacífico provoca alterações na circulação de Walker, um sistema atmosférico que liga o Pacífico à América do Sul. Essa mudança desloca a área de ascensão do ar, fazendo com que o ar descendente se concentre sobre a Amazônia, resultando em menos chuvas e temperaturas mais altas.
Com a redução das chuvas, a vegetação da Amazônia diminui a evapotranspiração, ou seja, a perda de água para a atmosfera. Isso cria um ciclo vicioso: menos umidade disponível no ar resulta em menos chuvas e, consequentemente, solo ainda mais seco. Esse encadeamento foi observado durante as secas de 2015 e 2023 na bacia amazônica.
No Sul do Brasil, o El Niño tem um efeito oposto. O fenômeno pode intensificar o jato subtropical, favorecendo a formação de frentes frias mais organizadas. Isso resulta em chuvas intensas e até tempestades severas, o que traz a necessidade de atenção para possíveis inundações, especialmente no Rio Grande do Sul. Enquanto isso, as temperaturas em grande parte do Brasil devem permanecer acima da média, aumentando os riscos de incêndios, especialmente na Amazônia Legal e no Pantanal.
Fonte: Portal Amazônia