Cooperativismo no Sul do Brasil inspira modelo para o Amazonas, diz Sicredi
Evento do Sicredi em outubro no RS destacou como o cooperativismo no Sul pode inspirar o Amazonas em geração de renda e desenvolvimento local.

A união de comunidades, empreendedores e pequenos produtores em torno de objetivos comuns pode transformar a economia de uma cidade. No Sul do Brasil, o cooperativismo é utilizado para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer negócios, valorizar produtos regionais e estimular o turismo. Para o Amazonas, onde a produção rural, o extrativismo e a diversidade cultural convivem com desafios de transporte e comercialização, o modelo representa uma alternativa para gerar renda e ampliar oportunidades no interior.
Durante três dias de imersão no cooperativismo promovida pelo Sicredi, em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, entre 14 e 16 de outubro, no 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, a experiência de municípios da região mostrou como a organização coletiva pode conectar produtores, empresas, instituições financeiras e poder público. A proposta consiste em criar condições para que elas produzam, negociem e cresçam juntas, compartilhando responsabilidades e resultados.
Um estudo do Sistema OCB, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), identificou que municípios brasileiros com cooperativas apresentavam, em média, R$ 5,1 mil a mais no Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, além de diferenças positivas no número de empregos formais e estabelecimentos econômicos. Os resultados apontam uma associação entre a presença do cooperativismo e o dinamismo econômico local, embora não signifiquem que a criação de uma cooperativa, isoladamente, garanta esses resultados em qualquer cidade.
O empresário Rafael Wazlawick, proprietário do Armazém Wazlawick e representante da sexta geração da família fundadora do empreendimento na Serra Gaúcha, é parceiro Sicredi e destaca que essa relação no cooperativismo é baseada na confiança e no apoio ao desenvolvimento dos negócios, incluindo iniciativas para divulgar produtos e serviços regionais. "Compro laranja, compro manteiga, enfim, compro coisas de pessoas locais, eu consigo fazer com que essas pessoas tenham uma vida melhor. Então, eu acho que faz toda a diferença", esclarece.
Gustavo Freitas, diretor-executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi, ressaltou durante o encontro que o desenvolvimento do cooperativismo no Sul do país foi um investimento feito há centenas de anos, a partir da imigração alemã, italiana e suíça, destacando o padre Teodoro Amstad, fundador da Linha Imperial em Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América do Sul. "Em ciclos diferentes de imigração, pessoas vieram para cá saindo de guerra e conflitos, recebendo estímulos para estarem aqui, trouxeram consigo essa tradição do cooperativismo. E aí isso é o que faz com que essas regiões tenham uma tradição mais consolidada ou fortificada", afirmou.
O diretor também chamou a atenção para o posicionamento da região Norte em relação ao Nordeste e o desafio de ampliar a cultura do cooperativismo e seus impactos econômicos, como geração de empregos, renda e crescimento dos municípios. "Quanto mais gente trabalhando em conjunto nessas regiões para fomentar essa cultura, mais força a gente vai ter de desenvolvimento", concluiu.
No Amazonas, produtos como açaí, guaraná, cupuaçu, cacau, farinha e pescado podem ganhar força comercial quando produtores conseguem organizar a oferta, padronizar a qualidade, melhorar o beneficiamento e acessar mercados de maneira conjunta. Thiago Schmidt, representante do Sicredi Pioneira, defende que a expansão do modelo depende tanto da experiência prática quanto da formação de novas gerações. "Quanto mais cedo os jovens tiverem acesso à história do cooperativismo, à doutrina cooperativista, aos princípios do cooperativismo, mais as pessoas vão perceber esses valores e começar a praticar com mais intensidade", afirmou.
Dados do Sistema OCB/AM indicam que o Amazonas chegou a 74.379 cooperados em 2025, ante 15.570 em 2024, com R$ 854,47 milhões em ativos totais das cooperativas amazonenses naquele ano, mostrando expansão do setor. A Lei estadual nº 7.722, de 17 de julho de 2025, estabeleceu diretrizes para o incentivo e desenvolvimento do cooperativismo no estado, enquanto o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado (Idam) apoia a organização de produtores e a comercialização por meio de mercados institucionais.
Eloísa Helena Lopes, presidente da Casa Cooperativa em Nova Petrópolis, destacou que uma cooperativa nasce da união de pessoas em torno de um propósito e pode contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. "Quando existe uma cooperativa, a comunidade se transforma. Não é apenas uma pessoa ganhar, mas é evitar que outros lucrem sobre nós. E é esse o conceito de cooperativa tão importante para nosso desenvolvimento", explicou.
O 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi teve início em Porto Alegre, no Centro Administrativo Sicredi (CAS), com abertura oficial no Pátio Raiffeisen, seguiu para Nova Petrópolis para conhecer cases de sucesso e história do cooperativismo, e encerrou em Gramado, durante o 18º Festival de Cultura e Gastronomia de Gramado, reunindo jornalistas de várias regiões do país para uma imersão no tema.
Fonte: D24AM