Cultura Seringueira em Risco: Resistência e Apagamento na Amazônia
O apagamento da cultura seringueira preocupa comunidades na Amazônia, que lutam para preservar seus saberes e tradições diante de ameaças externas.

Os seringueiros, herdeiros de uma rica tradição cultural, têm se organizado ao longo das gerações para resistir a ameaças que buscam apagar suas identidades. A devoção à Santa Raimunda, figura central na cultura local, é um dos legados que perdura entre essas comunidades. Marcos Fernando, conhecido como Marcos Poeta, cineasta e radialista que cresceu na região entre Brasiléia e Epitaciolândia, destaca a importância dessa cultura na luta pela preservação da Amazônia.
As Reservas Extrativistas (Resex), que somam mais de 90 em todo o Brasil, são espaços protegidos que permitem a convivência harmônica entre a comunidade e a preservação ambiental. Nesses territórios, a população tradicional, como os seringueiros, colhe frutos, borracha e outros produtos da floresta, garantindo sua subsistência e preservando sua cultura. No entanto, a crescente pressão do agronegócio e a homogeneização cultural ameaçam esses modos de vida.
O processo de transmissão de saberes entre gerações tem se tornado cada vez mais difícil. Segundo Rachel Dourado, pesquisadora da Universidade Federal do Acre (Ufac), a oralidade é essencial para manter viva a cultura seringueira, mas práticas tradicionais têm se perdido com o passar do tempo. Osmarino Rodrigues, liderança comunitária, ressalta que a predominância de uma única religião tem dificultado a transmissão dos conhecimentos e tradições que definem a identidade seringueira.
A presença de templos protestantes e a influência de novas ideologias têm trazido mudanças significativas às práticas culturais locais. Marcos Poeta, em suas pesquisas, observou que a construção de uma igreja imponente em frente à sede da associação de moradores simboliza a tensão entre a tradição e a modernidade. Essa transformação tem gerado preocupações sobre o futuro da cultura seringueira, que se vê ameaçada pelo esquecimento e pela desintegração dos vínculos comunitários.
As histórias e encantarias da floresta, que sempre serviram como guias e referências para a vida nas reservas, estão em risco. Laiane Santos, técnica agrícola, menciona que, sem a floresta, os encantos não têm razão de ser. A luta pela preservação da cultura seringueira é também uma luta pela sobrevivência, e a urgência em transmitir essas histórias se torna cada vez mais evidente. Marcos Poeta conclui que a história e os saberes dos seringueiros são fundamentais não apenas para sua identidade, mas também para a proteção da floresta e de suas comunidades.
Fonte: Portal Amazônia