Curta rondoniense Planeta Fome é exibido em 100 festivais internacionais
A animação Planeta Fome, produzida em Rondônia, já foi apresentada em 100 festivais ao redor do mundo e aborda a desigualdade social em um futuro distópico.

O curta-metragem de animação Planeta Fome, criado em Porto Velho, Rondônia, alcançou a impressionante marca de 100 exibições em festivais de cinema globalmente. A produção já foi vista em diversos países da Europa, Ásia, África e América, conquistando prêmios tanto nacionais quanto internacionais.
Dirigido e escrito por Édier William, o filme se destaca por sua característica singular: não possui diálogos. A animação é inspirada na trágica 'fila dos ossos', observada durante a pandemia de Covid-19, e apresenta uma narrativa de ficção científica que discute a desigualdade social.
A trama se passa no ano de 2125, em um cenário árido e sem árvores, onde Porto Velho é retratada em preto e branco. A escassez de alimentos se torna um elemento central da história, utilizada como instrumento de controle social em um contexto de colapso ambiental e econômico. A narrativa acompanha Ivani, uma mulher negra e mãe solteira, e seu filho Lucca, de apenas 8 anos, que lutam para sobreviver em um mundo onde a comida é o único elemento colorido.
De acordo com Édier William, a proposta do filme é gerar reflexão ao mostrar que a miséria extrema é resultado de decisões políticas e econômicas, não apenas uma questão de acaso. A animação já foi exibida em festivais renomados na Espanha, Itália e Alemanha, além de países como Marrocos, China e Índia. Na Índia, o curta participou do Bengaluru International Short Film Festival, que qualifica produções para o Oscar.
No Brasil, a Mostra Sesc de Cinema levou Planeta Fome para 19 estados, e a produção recebeu prêmios nas categorias Melhor Filme, Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora. Embora ambientado no século 22, o curta busca provocar reflexões sobre questões contemporâneas, de acordo com o animador Luan Ott, que destaca que a realidade apresentada é uma versão exagerada de problemas já presentes no cotidiano. Financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, através da Fundação Cultural do Município de Porto Velho (Funcultural), Édier William ressalta que a marca de 100 festivais evidencia a relevância dos investimentos públicos na cultura, que geram empregos e formam profissionais na Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia