Danças populares da Amazônia Legal: Suça, Cacuriá, Siriri, Marujada, Jacundá, Lundu Marajoara, Gambá de Pinhel, Desfeiteira e Maçarico
Danças como Suça, Cacuriá, Siriri, Marujada, Jacundá, Lundu Marajoara, Gambá de Pinhel, Desfeiteira e Maçarico representam a diversidade cultural da Amazônia Legal.

As danças populares da Amazônia Legal transmitem histórias, crenças e modos de vida, sendo passadas de geração em geração. A região reúne tradições indígenas, africanas e europeias, que se entrelaçam e originam manifestações culturais diversas. Entre essas manifestações, destacam-se danças como Suça, Cacuriá, Siriri, Marujada, Jacundá, Lundu Marajoara, Gambá de Pinhel, Desfeiteira e Maçarico.
A Suça, também chamada de Súcia ou Sússia, é uma das manifestações culturais mais antigas do Tocantins. Segundo o Governo do Estado, sua origem remonta ao século XVIII, quando africanos escravizados foram levados para a mineração de ouro na região sudeste. Dançada em festividades folclóricas de cidades como Paranã, Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe e Tocantinópolis, a Suça combina canto, ritmo e movimentos embalados por tambores e cuícas. Os versos curtos são entoados ao som de viola, tambor, pandeiro e caixa. A dança varia conforme a comunidade, com cada grupo imprimindo seu próprio ritmo e passos. Está ligada a manifestações religiosas do catolicismo popular, como a Folia do Divino, e um dos passos mais característicos é a ‘Jiquitaia’. Apesar de não ser registrada como patrimônio imaterial pelo IPHAN, é reconhecida por sua relevância cultural, sendo transmitida entre gerações, especialmente em famílias de mestres suceiros.
O Cacuriá é uma dança típica do Maranhão, presente especialmente no encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. Segundo o livro "Vem cá curiar o cacuriá!", de Inara Rodrigues, foi criada em 1973 pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro, e reúne influências de ritmos como Carimbó, Bumba meu boi e os ritmos das caixas da Festa do Divino. A manifestação é marcada por coreografias sensuais, músicas com duplo sentido e interação entre dançarinos e público. A dança é realizada em roda, com pares que executam movimentos rápidos e improvisados, embalados por músicas sobre natureza, crenças e cotidiano, conduzidas por um coro. Dona Teté criou sua própria versão da dança em 1986. Os instrumentos incluem Caixa do Divino, banjo, violão e flauta, e os trajes são vibrantes: mulheres usam saias rodadas e blusas curtas; homens, peças com estampas semelhantes.
O Siriri é tradicional do Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Conforme artigo de Sônia Pereira e Carlos Rinaldi, é uma dança alegre, com coreografias simples em roda ou fileiras. Sua origem resulta da mistura de culturas indígenas, africanas e europeias, inicialmente ligada a rituais religiosos e depois incorporada a festas populares. Os movimentos são marcados por palmas, gestos sincronizados e expressões de alegria, embalados por viola de cocho, ganzá e mocho. Os trajes típicos são coloridos: mulheres usam saias rodadas e homens, calças compridas e camisas de manga longa. Cuiabá destaca-se como centro da cultura do Siriri, com grupos dedicados à sua preservação.
A Marujada é uma dança típica do Acre que narra histórias de navegação em alto-mar. Segundo artigo sobre o folguedo, a tradição foi consolidada por mestres como Aldenor da Costa Souza, Zuleide Cordeiro e Chico do Bruno. Surgiu na década de 1950, implementada por um mestre de Manaus, e é preservada por famílias e grupos culturais locais, como Marujos da Alegria. Realizada durante o carnaval, envolve personagens que representam funções de embarcação, como maquinistas e marinheiros. Os grupos percorrem casas, recebendo alimentos ou pequenas recompensas, reforçando o caráter comunitário da manifestação.
O Jacundá é uma dança de origem indígena popular na Amazônia. Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, é uma dança de roda em que homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas. Um participante vai ao centro e tenta escapar do círculo, enquanto os demais impedem sua saída; ao conseguir, outro assume seu lugar, repetindo a dança ao som de uma cantiga única.
O Lundu Marajoara é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil, com origem africana. Conforme artigo de Antônio Benedito Lima Pantoja, foi trazido por pessoas escravizadas da Angola e introduzido no Brasil no período colonial, sendo praticado nas senzalas. Ao chegar à Ilha do Marajó, especialmente em Soure, foi adaptado ao modo de vida local, incorporando elementos da cultura dos vaqueiros e comunidades marajoaras. A coreografia simula um jogo de sedução entre homem e mulher, com movimentos de quadril, olhares e gestos, embalados por ritmo lento e instrumentos de sopro e atabaques. Historicamente, chegou a ser censurado pela Igreja Católica, mas também conquistou espaço nas cortes europeias. O traje feminino inclui saias rodadas e blusas curtas; os homens dançam sem camisa e com calça curta. A dança é acompanhada por curimbó, flautas e cavaquinho, e mantida por grupos como Aruans, Eco Marajoara e Cruzeirinho.
O Gambá de Pinhel está ligado à Festa de São Benedito, realizada na comunidade de Pinhel, no Pará. Segundo Lima e Amorim, o nome refere-se a um tambor de madeira oca que marca o ritmo da celebração. A festividade ocorre anualmente em junho e reúne moradores de diversas comunidades. Na dança, Rei e Rainha se apresentam com roupas brilhantes nas cores verde, vermelho, branco e amarelo, e coroas com fitas coloridas. A coreografia é simples, baseada no arrastar dos pés, acompanhando o ritmo do tambor. À medida que a apresentação avança, outros espectadores passam a integrar a dança, tornando-se uma grande celebração comunitária.
A Desfeiteira é uma dança de origem portuguesa presente no Amazonas e em Alter do Chão (PA), praticada durante o Sairé. É uma variação do fandango, de caráter lúdico e humorístico. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, pares se movimentam ao som de orquestra composta por violão, flauta, cavaquinho e, às vezes, trombone. Quando a música para, o casal em frente à orquestra improvisa um verso, geralmente declamado pelo cavalheiro; se errar, o par é vaiado e paga uma prenda, reforçando o tom descontraído.
A dança do Maçarico é uma das mais populares manifestações folclóricas do Amazonas. Segundo a Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares, seu nome faz referência ao pássaro maçarico, comum na região. A principal característica é a imitação dos movimentos da ave: passos rápidos, pequenas corridas, pulos e deslocamentos ágeis. A coreografia é executada por vários casais, embalados por ritmo acelerado, e não está associada a celebrações religiosas, sendo voltada ao entretenimento e expressão corporal. O figurino masculino é composto por camisa e calça em cores diferentes; o feminino, por blusas e saias coloridas.
Fonte: Portal Amazônia