Debate em Brasília destaca desafios da saúde mental no Brasil
Especialistas discutem os perigos que afetam a saúde mental durante a 383ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde. A luta contra o manicômio e a importância de políticas inclusivas foram enfatizadas.

O cenário da saúde mental no Brasil foi amplamente abordado durante a 383ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde, realizada em Brasília. A discussão, que ocorreu em homenagem ao Dia Mundial da Saúde Mental no último domingo, dia 10, destacou a importância da luta anti-manicomial e os princípios da Reforma Psiquiátrica, enfatizando o respeito aos direitos dos indivíduos que enfrentam problemas mentais.
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a abordagem de cuidado em liberdade tem se mostrado eficaz, superando o modelo de tratamento que prevaleceu em décadas anteriores e que isolava os pacientes. Com a criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o cuidado humanizado se consolidou como uma política de Estado, contando atualmente com 3.158 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e mais de 88 mil profissionais de saúde dedicados a essa área, conforme informações do Dr. Bruno Ferrari, Coordenador-geral da RAPS no Ministério da Saúde.
Apesar dos avanços, os especialistas que participaram da mesa de debate ressaltaram que ainda há muito a ser feito. Problemas como o uso excessivo de telas, a precarização do trabalho e diversas formas de violência impactam negativamente a saúde mental da população brasileira. A psicóloga Ana Carolina Freire Lopes destacou que as desigualdades sociais influenciam diretamente o sofrimento psíquico e o acesso ao tratamento adequado.
Além de discutir os desafios, a mesa também abordou soluções como a economia solidária, que pode ser uma alternativa poderosa para promover a saúde mental e a cidadania. Lopes enfatizou que os CAPS são essenciais, mas que a responsabilidade pelo cuidado deve ser compartilhada por toda a rede de saúde. A socióloga Fabiana Helena Valmore acrescentou que é fundamental respeitar a subjetividade dos pacientes e garantir que eles participem das decisões que envolvem sua saúde.
O coordenador da Comissão Intersetorial de Saúde Mental, Derivan Brito da Silva, reafirmou o compromisso do Conselho Nacional de Saúde em fortalecer o Controle Social do SUS, especialmente em relação a denúncias de violação de direitos. A presidenta do CNS, Fernanda Magano, e outros conselheiros também manifestaram apoio à luta contra comunidades terapêuticas, que são vistas como novos manicômios. Segundo Anselmo Dantas, o sofrimento psíquico é um reflexo de desigualdades sociais que precisam ser enfrentadas de maneira abrangente, buscando não apenas tratamento, mas também a construção de projetos de vida para os indivíduos.
Fonte: D24AM