Delegado alerta sobre ninfoplastia irregular em clínicas de Manaus
Delegado revela que clínicas em Manaus ofereciam ninfoplastia como cirurgia a laser, mas prática era invasiva. Investigação começou após complicações em paciente.

Manaus - O delegado Jorge Arcanjo, da Polícia Civil do Amazonas, fez revelações preocupantes sobre duas clínicas em Manaus que estão sendo investigadas por exercício ilegal da medicina. Durante uma coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 22, ele afirmou que essas clínicas divulgavam a ninfoplastia como uma "cirurgia a laser" sem cortes, induzindo as pacientes a acreditarem que se tratava de um procedimento meramente estético.
Na realidade, conforme explicou o delegado, o procedimento é realizado com um aparelho a laser que utiliza CO2, o que efetivamente faz um corte. "É feito com corte, porém sem bisturi. O procedimento é a laser, só que um laser abastecido por CO2 e ele faz o corte", destacou Jorge Arcanjo. A polícia possui vídeos da cirurgia que demonstram a natureza invasiva do procedimento.
A investigação teve início após uma paciente apresentar complicações sérias, incluindo infecções, após a realização da ninfoplastia. "Esse procedimento trouxe uma série de complicações para essa senhora, inclusive a possibilidade de dificuldade na cicatrização", comentou o delegado. A paciente foi atendida em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em estado grave, o que levantou a preocupação das autoridades.
O delegado informou que a ninfoplastia estava sendo realizada por uma enfermeira, uma cirurgiã-dentista e uma biomédica, que prestou depoimento e foi liberada em seguida. A ninfoplastia é um procedimento cirúrgico que visa reduzir ou remodelar os pequenos lábios da vagina, e a realização correta dessa cirurgia requer uma estrutura hospitalar adequada, algo que, segundo Arcanjo, não existia nas clínicas investigadas.
Além disso, Jorge Arcanjo ressaltou que a legislação médica determina que esse tipo de procedimento deve ser realizado por um médico, preferencialmente um cirurgião ginecológico ou dermatológico. Ele também mencionou a disputa judicial entre conselhos profissionais sobre a possibilidade de outras categorias, como odontologia e biomedicina, realizarem tais intervenções. Durante a operação nas clínicas, foram apreendidos produtos que não possuíam registro na Anvisa.
Fonte: Amazonas Atual