Denúncias de abuso no jiu-jitsu revelam vulnerabilidades de crianças e mulheres
Denúncias crescentes de abusos em academias de jiu-jitsu no Amazonas acendem alerta sobre a segurança de crianças e mulheres no esporte.

Manaus - A recente onda de denúncias de abusos envolvendo professores de artes marciais no Amazonas trouxe à tona a necessidade urgente de tornar o jiu-jitsu um ambiente mais seguro para crianças, adolescentes e mulheres. Este cenário alarmante fez com que a professora e faixa-preta de jiu-jitsu, Maísa Ladislau, decidisse compartilhar sua experiência como vítima de importunação sexual, revelando um episódio que a marcou no início de sua carreira.
Maísa, emocionada, declarou: "Eu nunca conversei com ninguém sobre isso. Essa é a primeira vez que vou falar. Já fui importunada sexualmente no início da minha carreira." Ela explicou que, na época, as vítimas tinham menos recursos e suporte para denunciar tais abusos, ao contrário do que ocorre hoje com a presença da internet e redes sociais.
A experiência traumática vivida por Maísa se transformou em um impulso para criar um ambiente seguro para outras mulheres em sua academia, onde atualmente mantém uma turma exclusiva para alunas. "Nosso objetivo é capacitar essas mulheres para que saibam se proteger e tenham coragem de denunciar", destacou a professora, que busca empoderar suas alunas.
O jiu-jitsu é considerado um dos principais instrumentos de inclusão social no Amazonas, promovendo disciplina, respeito e autoconfiança. Contudo, uma série de denúncias de abusos sexuais por professores tem abalado a credibilidade de parte da comunidade esportiva. Entre os acusados está o policial civil Melqui Galvão, que permanece preso em São Paulo, e Carlos Holanda, conhecido como Esquisito, que é foragido.
Guilherme Torres, delegado de polícia e também faixa-preta de jiu-jitsu, comentou sobre o comportamento dos abusadores, que tendem a identificar vítimas vulneráveis. Para combater essa situação, ele iniciou uma campanha de conscientização nas academias. "Estamos há um ano realizando ações de proteção à criança e ao adolescente dentro do esporte", afirmou. Na academia de Maísa e Diego Marinho, os alunos recebem orientações sobre prevenção de abusos e importunação sexual, com medidas de proteção que poderiam ser adotadas por outras instituições.
Fonte: D24AM