Denúncias de Fraude e R$ 2,6 Bilhões: O Mistério do Asfalta Manaus
O programa Asfalta Manaus, lançado em 2022, enfrenta sérias denúncias de fraude e falta de transparência, com R$ 2,6 bilhões em contratos envolvidos.

A cidade de Manaus está em meio a um intenso debate sobre o programa Asfalta Manaus, que foi introduzido pela Prefeitura em 2022 como a principal estratégia para a recuperação das vias urbanas. Um levantamento recente, baseado em dados do Diário Oficial do Município, aponta para uma série de irregularidades, incluindo investigações ineficazes e uma alarmante falta de transparência. Além disso, o montante de R$ 2,6 bilhões em contratos e aditivos em jogo levanta questões sobre a utilização do dinheiro público.
Ao longo desses quatro anos desde o início do programa, a população continua a relatar problemas com buracos nas ruas, enquanto as promessas de um sistema de transparência eficaz parecem não ter sido cumpridas. Mecanismos prometidos pela administração municipal para monitorar a execução do programa foram desativados ou deixaram de ser atualizados, o que gera ainda mais desconfiança sobre a gestão dos recursos destinados à infraestrutura viária da cidade.
De acordo com os dados coletados, a Prefeitura de Manaus firmou mais de 180 contratos com aproximadamente 23 empresas de construção, totalizando um investimento que supera os R$ 2,6 bilhões. Os registros anuais dos gastos com o programa revelam valores que variam de R$ 721 milhões em 2022 a R$ 228 milhões projetados para 2026. É importante destacar que esses números se referem exclusivamente aos contratos do Asfalta Manaus, sem incluir outros serviços semelhantes que possam ter sido contratados.
Desafios na Transparência e Fiscalização
A gestão municipal, sob o comando do então prefeito David Almeida, havia anunciado a criação de uma plataforma chamada “Asfaltômetro” para acompanhar a execução dos serviços, prometendo maior transparência aos cidadãos. Durante um evento em 2022, Almeida garantiu que relatórios e dados estariam disponíveis para órgãos de controle e para a população. Contudo, recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para aprimorar o portal não foram seguidas, e o Asfaltômetro acabou saindo do ar, sem um sistema que permita ao público verificar quais ruas foram realmente atendidas pelo programa.
No legislativo, o vereador Rodrigo Guedes tentou criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2025 para investigar o Asfalta Manaus, especialmente após acidentes em vias esburacadas. Embora a proposta tenha conseguido reunir algumas assinaturas no início, a falta de apoio político acabou inviabilizando a CPI. Outros parlamentares, como o deputado Delegado Péricles, também tentaram levar a questão para a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mas as iniciativas enfrentaram barreiras políticas significativas.
Além das tentativas no legislativo, o programa foi alvo de investigações no Tribunal de Contas e no Ministério Público do Amazonas. Representações foram apresentadas, mas muitos casos ainda aguardam andamento, enquanto um inquérito do MPAM para investigar possíveis falhas foi arquivado em outubro de 2025. Com mais de 20 empresas envolvidas, a falta de clareza sobre o destino dos recursos continua a ser uma preocupação para a população. A reportagem questionou a Prefeitura de Manaus sobre a opacidade do programa e aguarda uma resposta oficial.
Fonte: D24AM