Descoberta de espécie rara de café no Pará encanta pesquisadores e agricultores
Uma variedade rara de café, a Coffea liberica, foi identificada em Irituia, no Pará, unindo tradição familiar e pesquisa científica.

Uma espécie rara de café, conhecida como Coffea liberica ou “beirão”, foi identificada em quintais agroflorestais na cidade de Irituia, no nordeste do Pará. Esse achado faz parte do projeto Café Ancestral Agroecológico, que combina pesquisa botânica com a memória das famílias agricultoras e práticas de manejo.
O levantamento realizado analisou 57 exemplares de café em oito propriedades localizadas em cinco municípios: Irituia, São Domingos do Capim, Ourém, Capitão Poço e São Miguel do Guamá. A pesquisa confirmou a presença de duas espécies de café, a Coffea arabica, conhecida como “pretinho” e “moca”, e a Coffea liberica, a variedade “beirão”.
Após a identificação taxonômica, 48 exemplares férteis foram incorporados ao Herbário IAN, da Embrapa Amazônia Oriental. Este registro é significativo, pois a presença do “beirão” é um dos achados mais relevantes da pesquisa, especialmente por ocorrer próximo ao tricentenário da introdução do café no Brasil, que aconteceu em 1727 com sementes trazidas da Guiana Francesa para Belém.
Agílio Cordeiro Vieiras, de 66 anos, um agricultor de Irituia, relata que convive com o café “beirão” desde a infância, sendo uma tradição familiar que atravessa gerações. As mulheres da família, em particular, desempenharam um papel crucial na preservação das plantas e na transmissão dos conhecimentos sobre o cultivo e o preparo do café.
A pesquisa é liderada pelo professor José Sebastião Romano de Oliveira, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), e envolve a Embrapa Amazônia Oriental e a Cooperativa D’Irituia. O objetivo é não apenas reconhecer a importância agroecológica do café, mas também valorizar sua trajetória histórica e identidade territorial, promovendo a conservação da biodiversidade e a geração de renda para as famílias agricultoras.
Fonte: Portal Amazônia