Descoberta sobre roedor revela segredos da sobrevivência em altitudes extremas
Cientistas desvendam como o rato-orelhudo-andino sobrevive a quase 6.800 metros de altura. Estudo revela adaptações genéticas e metabólicas surpreendentes.

No Chile, um pequeno roedor que habita em condições extremas tem fornecido pistas valiosas sobre como os mamíferos se adaptam a altitudes elevadas. Um estudo, divulgado na última quinta-feira (10) na revista Science, explorou os mecanismos genéticos e metabólicos que permitem ao rato-orelhudo-andino (Phyllotis vaccarum) sobreviver a cerca de 6.800 metros no vulcão Llullaillaco, localizado na fronteira entre Chile e Argentina.
A pesquisa teve início em 2019, quando o fisiologista evolutivo Jay Storz, da Universidade de Nebraska, ouviu relatos de montanhistas sobre a presença desses pequenos roedores no cume do Llullaillaco, o segundo vulcão ativo mais alto do mundo. Motivada pela curiosidade de um mamífero viver em um ambiente tão hostil, a equipe realizou uma expedição científica e capturou um exemplar vivo a 6.739 metros de altitude em 2020, estabelecendo um novo recorde para mamíferos.
Nos anos seguintes, os pesquisadores conduziram novas expedições pelos Andes, coletando amostras de animais desde o nível do mar até as altitudes mais elevadas da cordilheira. Ao todo, foram analisados 167 genomas completos para compreender como esses roedores conseguem sobreviver em ambientes com frio extremo e baixa concentração de oxigênio, revelando que os ratos montanheses mantêm uma capacidade aeróbica superior à de indivíduos encontrados em altitudes mais baixas.
Os resultados do estudo mostraram que, ao contrário de outras espécies como lhamas e gansos-andinos, o rato-orelhudo não apresenta alterações na hemoglobina, a proteína que transporta oxigênio no sangue. A pesquisa indicou que a adaptação do roedor se dá principalmente por meio de mudanças no metabolismo e na atividade de um grupo específico de genes relacionados à sobrevivência em condições adversas, permitindo que ele mantenha a temperatura corporal mesmo em altitudes acima de 6.700 metros.
Outro aspecto intrigante levantado pelos cientistas foi a alimentação do roedor em altitudes extremas. Mesmo acima de 6.000 metros, onde a vegetação é quase inexistente, análises do conteúdo estomacal revelaram restos de plantas, como folhas de coca e alho, possivelmente deixadas por montanhistas. Agora, os pesquisadores buscam entender como esses alimentos podem estar relacionados às adaptações genéticas do rato-orelhudo, que sobrevive em um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
Fonte: D24AM