Descobertas arqueológicas revelam tumbas e 'línguas de ouro' no Egito
Arqueólogos descobriram 18 tumbas de 2.000 anos em Marina el-Alamein, incluindo 24 'línguas de ouro' usadas como amuletos funerários.

No Egito, arqueólogos realizaram uma descoberta significativa ao encontrar 18 tumbas com aproximadamente 2.000 anos na cidade de Marina el-Alamein, localizada na costa do Mediterrâneo. As sepulturas contêm uma variedade de artefatos raros, incluindo 24 intrigantes ‘línguas de ouro’. Segundo informações do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, esses objetos eram colocados na boca dos falecidos como amuletos, com a intenção de ajudá-los a se comunicar na vida após a morte.
As tumbas datam dos períodos ptolomaico, que abrange de 322 a.C. a 30 a.C., e romano, de 30 a.C. a 395 d.C., épocas caracterizadas pela forte influência grega e pela integração do Egito ao Império Romano. Das 18 sepulturas encontradas, 11 foram escavadas em profundidades consideráveis, enquanto as outras sete estavam situadas mais próximas da superfície, indicando diferentes práticas funerárias.
Além das línguas de ouro, os arqueólogos descobriram um altar de oferendas, cuja base se assemelha a uma “porta falsa”, elemento que possui grande significado na arquitetura funerária do Egito. Especialistas explicam que essa estrutura simboliza a transição entre o mundo dos vivos e dos mortos, permitindo que os falecidos recebessem, em espírito, as oferendas de seus familiares.
As línguas de ouro já haviam sido identificadas em outras escavações no Egito, especialmente em tumbas dos períodos ptolomaico e romano. Acreditava-se que o ouro representava a “carne dos deuses”, e que esses amuletos permitiam aos mortos a comunicação com Osíris, o deus responsável pelo julgamento das almas. Um dos artefatos recuperados, em específico, despertou a atenção dos pesquisadores por ter a forma do Olho de Hórus, um símbolo de proteção e poder entre os antigos egípcios.
Além dessas descobertas, um sarcófago de granito de 2,5 metros, ainda fechado, foi encontrado e está sendo analisado para determinar os restos mortais que contém. Outra peça notável é uma estátua inacabada da deusa grega Afrodite, que evidencia a influência da cultura helenística na região. Os arqueólogos afirmam que essas novas descobertas reforçam a ideia de que Marina el-Alamein era uma comunidade multicultural, onde tradições egípcias e greco-romanas coexistiam, tanto na vida cotidiana quanto nas práticas funerárias. Análises futuras dos artefatos e esqueletos poderão revelar mais sobre as crenças e hábitos da população que habitou a região há cerca de dois mil anos.
Fonte: D24AM