Desempenho do Legislativo é Ofuscado pela Desinformação do Eleitor
Cientistas políticos afirmam que a falta de entendimento do eleitor sobre o Legislativo prejudica a democracia. O sistema eleitoral e a coincidência de eleições contribuem para essa desorientação.

MANAUS - Acusar o eleitor pelo desempenho irregular do Legislativo é um equívoco. Especialistas em ciência política afirmam que a estrutura do sistema eleitoral esconde as disputas para a Câmara, o Senado e as assembleias, fazendo com que o eleitor chegue às urnas sem compreender plenamente o papel de um parlamentar e a divisão das vagas disponíveis.
Essa confusão é exacerbada pela simultaneidade das eleições para o Executivo e Legislativo, onde as campanhas para presidente e governador frequentemente dominam a atenção do público. Como resultado, os eleitores acabam escolhendo seus representantes nos parlamentos sem a devida informação, o que é uma preocupação levantada por analistas políticos.
Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fesp-SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), destaca que o eleitor possui apenas metade da responsabilidade pela escolha dos candidatos ao Legislativo. Segundo ele, a própria estrutura política, que mantém as eleições legislativas e executivas em sincronia, não favorece uma compreensão clara por parte do eleitor, o que, por sua vez, prejudica a saúde da democracia.
Ramirez também critica a mídia e as redes sociais, que tendem a dar mais ênfase às disputas eleitorais para os cargos de presidente e governador, resultando em uma despolitização das eleições legislativas. Ele afirma que a atual elite política não tem interesse em mudar essa realidade, pois se beneficia dela ao garantir votos mais baixos para o Legislativo em comparação aos executivos.
O pesquisador e analista político Afrânio Soares complementa que a cultura política no Brasil é fortemente centrada no presidencialismo, fazendo com que o Legislativo seja percebido como uma entidade secundária. Isso leva a uma falta de clareza sobre as funções do Legislativo, resultando em votos guiados por assistencialismo e afinidade pessoal, o que posteriormente gera frustração com os mandatos parlamentares.
Fonte: Amazonas Atual