Desigualdade eleitoral: mulheres enfrentam desafios no Amazonas
No Amazonas, mulheres tiveram desempenho inferior ao dos homens nas eleições para a Câmara dos Deputados, recebendo menos recursos do Fundo Eleitoral. Apenas uma mulher foi eleita entre os oito deputados federais do estado.

MANAUS — As eleições para a Câmara dos Deputados no Amazonas revelaram uma disparidade significativa entre os desempenhos de homens e mulheres. Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que, nos partidos que conseguiram vagas, as candidatas obtiveram resultados inferiores em comparação aos homens dentro das próprias chapas. No último domingo (4), o estado elegeu sete homens e apenas uma mulher para as oito vagas disponíveis na Câmara dos Deputados.
Os partidos tinham a possibilidade de lançar até nove candidatos para o cargo de deputado federal, uma vez que o número de vagas em disputa é acrescido de uma unidade. A legislação eleitoral estipula que ao menos 30% das candidaturas devem ser femininas. No entanto, muitos partidos, como Republicanos e a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), lançaram o número máximo de candidatos, incluindo pelo menos três mulheres em cada chapa.
A destinação de 30% dos recursos do Fundo Eleitoral para candidaturas femininas deveria proporcionar um cenário mais igualitário, mas esse percentual é calculado em nível nacional. Assim, a distribuição dos recursos entre os candidatos de uma mesma chapa pode ser desigual. No Amazonas, muitos partidos que conquistaram vagas concentraram a maior parte dos recursos em candidatos homens, prejudicando as mulheres na disputa.
No PL, que elegeu dois deputados, as mulheres que concorreram receberam menos votos e recursos. As três candidatas do partido terminaram nas últimas posições do ranking interno de votação. Em contraste, os dois homens mais votados, Alexandre Salazar e Alfredo Nascimento, concentraram 85,1% dos recursos do Fundo Eleitoral, recebendo R$ 3 milhões cada, enquanto as mulheres tiveram apenas R$ 200 mil cada.
Um cenário semelhante foi observado no MDB, onde os homens também dominaram a divisão dos recursos. Apesar de Vanda Witoto ter alcançado uma votação expressiva, a maioria das mulheres ficou com resultados bem inferiores. A situação se repetiu em outros partidos, como o PSD, onde as mulheres também ficaram nas últimas posições. Por outro lado, na Federação União Progressista, a distribuição de recursos e o desempenho das candidaturas femininas foram mais equilibrados, com uma mulher sendo eleita e outras ocupando posições de suplentes.
Fonte: Amazonas Atual