Desigualdade na Inclusão Digital em Brasil é Evidenciada por Estudo
Estudo revela que a inclusão digital no Brasil é desigual, com grande disparidade entre comunidades e polos tecnológicos. A situação exige atenção urgente para garantir acesso igualitário à tecnologia.

SÃO PAULO – Ana Cláudia Miguel, líder comunitária da região do Pilar, aponta para a Rua do Moinho, que separa sua comunidade de um dos principais polos tecnológicos do Brasil, o Porto Digital, localizado no Recife Antigo. Ela destaca que, apesar de um arco que antes dividia os bairros ter sido demolido, novas barreiras persistem, agora na forma de acesso à tecnologia e internet.
A comunidade do Pilar, composta majoritariamente por famílias de baixa renda, vive em condições precárias, com 73% da população negra e 76% das famílias chefiadas por mulheres. Uma pesquisa realizada em 2023, com apoio da Universidade das Nações Unidas, revelou que 74% da população depende do trabalho informal, e a renda média não ultrapassa um salário mínimo e meio.
Do outro lado da rua, o Porto Digital abriga mais de 500 empresas de tecnologia, que faturaram R$ 7,4 bilhões em 2025. Pierre Lucena, presidente do Porto, descreve o local como “uma plataforma de inovação”, com diversas incubadoras, universidades parceiras e uma faculdade própria. Contudo, a discrepância tecnológica entre as duas áreas ilustra o grande desafio do Brasil em proporcionar inclusão digital efetiva.
Embora a PNAD-TIC 2026 indique que 90,5% da população brasileira utilizava a internet em 2025, a qualidade do acesso é alarmantemente desigual. Enquanto 86% dos lares têm acesso à banda larga, 10,7% dependem exclusivamente de dados móveis, e 59,2% não possuem computadores ou tablets. Segundo Flávia Lefrève, especialista em telecomunicações, a falta de equipamentos adequados e acesso à internet de qualidade limita o exercício da cidadania.
O Pilar Universitário, lançado em 2023, oferece bolsas de estudo para moradores, mas a falta de acesso à internet ainda é um obstáculo. Ana Cláudia menciona que muitos estudantes enfrentam dificuldades para continuar seus estudos devido à limitação de dados móveis. A experiência de Eurídize Lima de Santana ilustra essa realidade, pois a falta de um computador a levou a trancar o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Essa realidade demonstra que a inclusão digital ainda está longe de ser uma realidade para todos, e a comunidade enfrenta um grave risco de perda de jovens para atividades ilícitas devido à falta de oportunidades.
Fonte: Amazonas Atual