Desigualdade no Trabalho e Acessibilidade para Pessoas com Deficiência no Amazonas
Censo 2022 revela que 268 mil amazonenses têm deficiência, enfrentando desafios no mercado de trabalho e na educação. Acessibilidade nas escolas é alarmantemente baixa.

MANAUS – De acordo com o Censo 2022, aproximadamente 268 mil pessoas com deficiência, com 2 anos ou mais, residem no Amazonas, o que corresponde a 7,0% da população nessa faixa etária. No Brasil, o número total de pessoas nessa condição chega a 14,4 milhões, representando 7,3% da população. Os dados foram divulgados pelo IBGE na última sexta-feira, dia 18.
Dentre as 268 mil pessoas com deficiência no Amazonas, 144 mil são mulheres e 124 mil são homens. Em termos de cor ou raça, cerca de 181 mil se identificam como pardas, 53 mil como brancas, 19 mil como pretas e 14 mil como indígenas. A prevalência de deficiência aumenta com a idade, variando de 1,7% entre crianças de 2 a 9 anos para 24,6% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Em 2022, das 250 mil pessoas com deficiência a partir de 14 anos no estado, apenas 89 mil estavam empregadas, resultando em um índice de ocupação de 35,8%. Em contraste, a taxa de ocupação entre pessoas sem deficiência é de 47,5%, evidenciando uma diferença de 11,7 pontos percentuais. Além disso, entre os ocupados, 46,2% das pessoas com deficiência contribuíam para a Previdência, comparado a 51,2% das demais.
No âmbito domiciliar, dos 1,082 milhão de lares no Amazonas, 201 mil possuem pelo menos um morador com deficiência. A renda média total desses lares é de R$ 3.341, inferior à média de R$ 3.605 dos demais. O trabalho representa 65,2% da renda familiar nas casas com pessoas com deficiência, contra 79,4% nos outros domicílios, um acréscimo de 14,2 pontos percentuais em outras fontes de renda.
Quanto à educação, menos da metade (41,7%) das 5.562 escolas de educação básica do estado possui pelo menos um recurso de acessibilidade. Apenas 23,9% têm banheiros acessíveis, enquanto a média nacional é de 78,5% e 57,0%, respectivamente. Na rede pública, apenas 37,5% das escolas oferecem algum tipo de recurso de acessibilidade, em comparação com 95,3% da rede privada. No ensino superior, apenas 10 dos 5.150 docentes em atividade em 2024 são pessoas com deficiência, evidenciando a necessidade de mais inclusão.
Fonte: Amazonas Atual