Detentos em Roraima traduzem Constituição para línguas Macuxi e Wapichana
Um projeto na Cadeia Pública Masculina de Boa Vista traduz a Constituição Federal para as línguas indígenas, promovendo direitos e cultura.

Um projeto inovador realizado na Cadeia Pública Masculina de Boa Vista, em Roraima, envolveu 12 detentos que se dedicaram à tradução da Constituição Federal para as línguas indígenas Macuxi e Wapichana. Essa iniciativa, que tem como objetivo promover o acesso aos direitos e valorizar as culturas indígenas, também permite que os participantes reduzam suas penas através do trabalho.
Idealizado pelo Tribunal de Justiça de Roraima em 2025, o projeto foi apresentado a 78 comunidades locais e recebeu aprovação unânime. A tradução, que já foi concluída, está atualmente passando por um processo de revisão para garantir a precisão e a adequação do conteúdo. A importância da Constituição como a base do sistema jurídico brasileiro torna essa tradução um passo fundamental para a inclusão dos povos indígenas.
Antes de iniciarem a tarefa de tradução dos 250 artigos da Constituição, os internos passaram por um processo de alfabetização nas línguas Wapichana e Macuxi. Essa etapa era essencial para que eles pudessem ter domínio da escrita e facilitar o trabalho de tradução, que começou com a adaptação do título da Constituição, transformado na língua indígena em 'Manawynyu Zanai Mixiu Kazuwaytpaura Wanumaz Naik Amazad Baukuptinkiz Karaiw Idiweira', que significa 'Grande Lei da República Federativa do Brasil'.
Os detentos não apenas traduziram o texto, como também criaram uma capa para a Constituição traduzida que representa a bandeira do Brasil e um indígena com arco e flecha, reforçando a identidade cultural no material. A previsão é que a versão finalizada do documento esteja pronta até o primeiro trimestre de 2027, quando serão distribuídos exemplares para as comunidades que apoiaram o projeto.
A defensora pública Andreia Vilaça destacou a relevância do projeto como uma forma de aproximar os indígenas dos seus direitos e promover a educação como um importante instrumento de ressocialização. Este trabalho não apenas busca superar barreiras linguísticas, mas também valoriza a identidade e a cultura dos povos indígenas, permitindo que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas dentro do sistema jurídico brasileiro.
Fonte: Portal Amazônia