DMT na Ayahuasca pode impulsionar a geração de neurônios, revelam estudos
Pesquisas indicam que a dimetiltriptamina (DMT), presente na ayahuasca, pode estimular a produção de novos neurônios no cérebro humano. O estudo abre novas perspectivas sobre a neurociência e o potencial terapêutico da substância.

A dimetiltriptamina, comumente conhecida como DMT, é um psicodélico de ação rápida que provoca mudanças significativas na percepção e é o principal componente da ayahuasca. Essa bebida é utilizada por diversos povos indígenas da Amazônia em contextos espirituais, cerimoniais e terapêuticos, evidenciando sua importância cultural e medicinal na região.
Durante boa parte do século XX, a ideia predominante era de que o ser humano nasce com um número fixo de neurônios, que apenas diminuem ao longo da vida. No entanto, pesquisas mais recentes mostraram que muitos animais, incluindo os seres humanos, mantêm uma reserva de células-tronco neurais, que têm a capacidade de se multiplicar e gerar novos neurônios, desafiando o conceito tradicional de que a regeneração cerebral não ocorre no adulto.
Os cientistas se perguntaram se uma molécula psicodélica poderia estimular essas células-tronco neurais a produzirem novos neurônios e decidiram investigar o efeito da DMT. A pesquisa revelou que, após a exposição à DMT, essas células se mostraram mais propensas a se multiplicar, o que sugere um potencial significativo na relação entre a DMT e a neurogênese, especialmente em comparação com estudos anteriores que focavam em roedores.
Os efeitos da DMT foram avaliados usando uma tecnologia de reprogramação celular que transforma células adultas em células-tronco pluripotentes. Os resultados mostraram que as células expostas à DMT aumentaram a produção de fatores essenciais para a sobrevivência celular, como o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e o Fator de Crescimento do Nervo (NGF), indicando que a DMT pode ter um impacto positivo na saúde e na regeneração das células neurais.
Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores alertam que ainda há muito a ser descoberto. A capacidade de a DMT provocar a multiplicação de células-tronco neurais e a formação de neurônios funcionais em um cérebro humano vivo permanece uma área de pesquisa em aberto. Além disso, estudos em andamento buscam explorar os efeitos terapêuticos da DMT, que já demonstraram alívio rápido dos sintomas de depressão em testes clínicos, o que pode abrir novas possibilidades para tratamentos de saúde mental.
Fonte: Portal Amazônia