Dois Mateus e a Inusitada Rivalidade na Festa de Parintins
Em Parintins, duas mães veem seus filhos, Mateus, escolherem bois rivais, desafiando tradições familiares. Uma história de afeto e cultura no Festival.

A cidade de Parintins, no Amazonas, é famosa pela sua intensa rivalidade entre os bois Garantido e Caprichoso, uma disputa que muitas vezes divide famílias. No entanto, a história de duas mães amigas, Mayra da Costa Cavalcante e Thayana Santos, trouxe um elemento curioso e afetuoso a essa rivalidade. Seus filhos, ambos chamados Mateus, escolheram defender os bois rivais, o que gerou brincadeiras entre as mães de que os meninos teriam sido "trocados na maternidade".
Mateus Cavalcante, de 7 anos, é um fiel torcedor do Garantido, enquanto Mateus Santos, de 9 anos, é um apaixonado pelo Caprichoso. Cada um deles encontrou seu espaço dentro das tradições dos bois, apesar das expectativas familiares. Mateus Cavalcante, filho de Mayra, cresceu em uma família ligada ao boi azul, mas se encantou pelo Garantido após receber um boizinho de presente de sua avó, também torcedora do Caprichoso.
O pequeno Mateus Cavalcante não apenas se tornou um fervoroso fã do Garantido, mas também já atua como mini tripinha nas apresentações, sonhando em ser tripa oficial quando crescer. Ele aguarda ansiosamente a passagem dos caçauarés, trabalhadores responsáveis pelo transporte das alegorias do boi vermelho, e expressa sua amizade pelo Garantido de forma simples, dizendo que o boi é seu amigo. Mayra, sua mãe, apoia e acolhe essa escolha, afirmando que sua felicidade é o que mais importa.
Por outro lado, Mateus Santos, filho de Thayana, também surpreendeu ao escolher o Caprichoso, contrariando a tradição familiar, pois sua mãe é uma apaixonada torcedora do boi vermelho. Thayana, que já fez parte de tribos do Garantido, se alegra em ver o filho realizando seus sonhos como integrante da Escolinha de Arte do Caprichoso, onde desempenha várias funções, desde tocar repique até atuar como tripinha.
As histórias dos Mateus refletem uma crença popular em Parintins de que, no fim das contas, não é o torcedor que escolhe o boi, mas sim o boi que escolhe o torcedor. Para Mayra e Thayana, o envolvimento de seus filhos com a cultura do Festival é motivo de orgulho, mostrando que, independentemente das cores que defendem, eles estão contribuindo para manter viva uma tradição que é parte essencial da identidade da ilha.
Fonte: Portal Amazônia