Dupla usa imagem de Lula como alvo em clube de tiro em São Paulo
Homens armados foram filmados atirando em um alvo com a imagem do presidente Lula. O ato gerou repercussão e críticas sobre a normalização da violência política.

SÃO PAULO – No último dia 21 de outubro, um vídeo gravado em um clube de tiro em São Paulo mostrou dois homens armados praticando tiro contra um alvo que exibia a imagem do rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Durante a gravação, a dupla fez comentários jocosos como "Faz o L" e "esse não vai participar da próxima eleição", enquanto a câmera focava nos furos de bala na parte superior do retrato de Lula.
O autor do vídeo, identificado como Maurício Archangelo, é empresário da Zona Leste de São Paulo. Ao ser contatado pela reportagem, ele inicialmente não se lembrou do vídeo e, após desligar o telefone, acabou apagando a publicação de seu status no WhatsApp. Em uma segunda tentativa de contato, Archangelo demonstrou desinteresse em responder às perguntas, apenas questionando como a reportagem teve acesso ao seu status.
O consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, avaliou que a ação de atirar na imagem de um presidente pode ser caracterizada como crime de ameaça. Segundo ele, esse tipo de conduta é grave, especialmente considerando o histórico de violência política no Brasil, que inclui ataques diretos a Lula em sua caravana em 2018 e planos de assassinato revelados em 2023.
O episódio, que ocorreu no Clube e Escola de Tiro 556, foi reprovado por especialistas, que sugerem que a investigação deve abranger não apenas os indivíduos que dispararam, mas também o clube por permitir o uso de silhuetas de figuras públicas como alvos. O proprietário do clube, Vinicius Monteiro Pires Inácio, alegou não ter conhecimento do ocorrido e afirmou que os clientes podem levar alvos caricaturais, mas não fotos reais de pessoas.
Após a repercussão do caso, o clube de tiro postou uma mensagem em suas redes sociais afirmando que é proibido imprimir e utilizar imagens de pessoas reais como alvos. Em 2023, o clube já havia enfrentado problemas legais, incluindo uma operação policial que apreendeu 38 armas, além de estar sob investigação por realizar rifas de armas, prática que contraria a legislação vigente.
Fonte: Amazonas Atual