Dzoodzo Baniwa: Educador Indígena Promove Desenvolvimento Sustentável na Amazônia
Dzoodzo Baniwa, educador indígena, lidera projetos de desenvolvimento sustentável no Amazonas, integrando saberes tradicionais e ciência.

Dzoodzo Baniwa, um educador indígena que começou a frequentar a escola aos 10 anos, atualmente leciona matemática e é uma figura importante na promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Fotografado em setembro durante o Prêmio Fundação Bunge, ele destaca a relevância de sua trajetória na educação e no fortalecimento das comunidades indígenas.
Em 2018, Dzoodzo assumiu a secretaria executiva da Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri, que representa 85 comunidades e 10 escolas dos povos Baniwa e Koripako. A organização, que é parte da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), realizou um diagnóstico socioambiental para identificar as potencialidades locais e promover ações de desenvolvimento sustentável.
Uma das iniciativas surgiu a partir da comunidade de Nazaré do Rio Cubate, que manifestou interesse em conhecer a diversidade de aves da região visando um projeto de ecoturismo. Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi elaborado um inventário de avifauna que resultou no livro "Espécies de aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro", que inclui 310 espécies e informações sobre a importância cultural das aves para o povo Baniwa.
Dzoodzo, nascido em 1985 na aldeia Santa Isabel, compartilha que sua educação formal começou tardiamente, enfrentando dificuldades devido à barreira da língua e à falta de recursos. Sua experiência na Escola Indígena Baniwa e Koripako Pamáali, inaugurada em 2000, foi fundamental para sua formação, onde participou de projetos agroflorestais e de piscicultura, que o levaram a buscar uma licenciatura intercultural em física no Instituto Federal do Amazonas.
Após retornar à sua aldeia, ele desenvolveu um sistema sustentável de bombeamento de água, que atualmente implementa em cerca de 40 aldeias. Sua pesquisa de mestrado abordou a relação cultural e cosmológica da água para o povo Baniwa, destacando a importância da educação territorializada. Dzoodzo recebeu recentemente o Prêmio Fundação Bunge pela sua contribuição à conservação dos recursos naturais, reafirmando a necessidade de diálogo entre conhecimentos tradicionais e ciência para enfrentar a emergência climática.
Fonte: Portal Amazônia